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Chamava-se Samuel, o professor decapitado por mostrar cartoons aos alunos

Polícia já deteve nove pessoas relacionadas com o ataque terrorista, duas delas são os pais de um estudante do colégio onde a vítima trabalhava.

Chamava-se Samuel, o professor decapitado por mostrar cartoons aos alunos

O professor que foi decapitado nas imediações do colégio onde trabalhava, na sexta-feira, foi identificado como Samuel Paty. Tinha 47 anos de idade e ensinava História e Geografia na escola secundária de Bois d'Aulne, em Conflans-Sainte-Honorine, arredores de Paris.

Samuel, recorde-se, foi violentamente assassinado por um jovem de 18 anos, que acabou por ser interpelado pela polícia e, tendo-se mostrado violento, abatido. O procurador responsável pela brigada antiterrorismo anunciou a abertura de uma investigação a um "homicídio relacionado com uma organização terrorista e associado a terroristas".

No início deste mês, segundo reporta o Guardian, Samuel Paty tinha mostrado aos seus alunos adolescentes caricaturas do jornal satírico Charlie Hebdo, durante uma aula de educação cívica e moral sobre liberdade de expressão, o que gerou uma resposta negativa por parte de alguns pais, que pediram a sua demissão.

Antes de mostrar as caricaturas, o docente avisou que o ia fazer e indicou que os muçulmanos que não quisessem assistir poderiam não o fazer.

Depois da aula, o pai de um rapaz de 13 anos que assistiu à aula publicou nas redes sociais um vídeo onde garantia que o docente "mostrou a fotografia de um homem nú" e que disse que se tratava de "um profeta muçulmano". Esse pai associou-se a outros num coletivo para pedir a demissão do docente.

Samuel Paty chegou a ir à esquadra, na mesma altura, depois de ter sido feita uma queixa contra si. Defendeu que não compreendia as críticas e que o filho do pai que avançava com a queixa nem sequer esteve na sala de aula.

O professor morava perto da escola e costumava ir para casa por uma caminho que atravessava uma mata, mas tinha mudado o percurso recentemente, para ir pelo meio do bairro, porque se sentia ameaçado.

Esta madrugada foram detidas mais cinco pessoas, no âmbito da investigação ao caso. Entre as cinco pessoas agora detidas estão os pais de um estudante do colégio de Bois d'Aulne, que tiveram uma discussão com o professor sobre caricaturas de Maomé que o docente tinha mostrado na aula. Estas cinco detenções juntam-se às outras quatro já ocorridas em Evreux (noroeste), incluindo um menor, do círculo familiar do suspeito.

A identidade do agressor, no qual foi encontrado um documento de identidade, também foi confirmado pelos investigadores, segundo fonte judicial, e trata-se de um russo checheno de 18 anos, nascido em Moscovo, sem antecedentes criminais.

O chefe de Estado francês considerou, citado pela agência France-Presse (AFP), que o homicídio do professor de história é um "característico ataque terrorista islâmico", no entanto, "o obscurantismo não vencerá".

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