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Banguecoque fecha rede de transportes para impedir protestos

As autoridades de Banguecoque fecharam hoje o sistema de rede de transportes e bloquearam as estradas para impedir protestos contra o Governo na capital da Tailândia, que é palco de manifestantes há quatro dias consecutivos.

Banguecoque fecha rede de transportes para impedir protestos

Os manifestantes têm feito o possível para iludir as autoridades, usando as redes sociais para reunir seguidores antes de a polícia ter tempo de os bloquear.

O Governo anunciou planos para tomar medidas legais contra as contas do Twitter e do Facebook que anunciam os protestos, mas hoje foram publicados novos apelos nas redes sociais.

Os manifestantes pedem ao primeiro-ministro, Prayuth Chan-ocha, para se demitir, que a Constituição seja emendada para a tornar mais democrática e que a monarquia do país passe por reformas.

Os protestos foram convocados em desafio ao estado de emergência imposto na quinta-feira.

Todas as estações do sistema elevado Skytrain foram fechadas hoje em Banguecoque, num esforço de impedir os protestos. A linha do metro subterrâneo, do sistema MRT, foi também fechada e a polícia bloqueou várias estradas. Os organizadores pediram aos seus seguidores para se reunirem nas estações de Skytrain para receberem mais instruções.

Grupos de manifestantes reuniram-se em muitas estações que foram fechadas, estabelecendo uma presença de protesto em toda a cidade.

A polícia na sexta-feira também tentou bloquear os manifestantes, mas falhou quando a organização do protesto anunciou uma mudança de última hora do local.

Ao início da noite de sexta-feira em Banguecoque (menos seis horas em Lisboa), a polícia decidiu usar canhões de água contra os manifestantes.

"Com a dispersão dos manifestantes na noite do dia 16, ficámos a saber que o Governo e os militares se estabeleceram como inimigos do povo", lê-se um comunicado divulgado após os eventos de sexta-feira, pelo Partido do povo, a organização guarda-chuva dos manifestantes. A maioria dos seus principais líderes foi presa.

O apelo dos manifestantes pela reforma da monarquia aumentou significativamente a temperatura política na Tailândia e irritou muitos conservadores tailandeses mais velhos, para quem qualquer discussão crítica sobre a monarquia é equivalente a traição.

O primeiro-ministro da Tailândia rejeitou já a possibilidade de se demitir, apesar da crescente pressão dos protestos.

Prayut Chan-ocha, que apareceu esta sexta-feira perante a imprensa pela primeira vez desde a declaração do estado de emergência, garantiu que os manifestantes detidos, incluindo vários líderes dos protestos, não serão libertados, como têm exigido os manifestantes.

"A declaração do estado de emergência serve para tornar o país mais seguro e pacífico. Quero pedir a todos que, a partir de agora, não infrinjam a lei", disse o chefe do Governo, que decretou na quinta-feira o estado de emergência na capital, proibindo reuniões com mais de cinco pessoas, o que permitiu dispersar uma manifestação pacífica que cercava a sede do executivo.

A polícia, que tinha garantido que apenas as reuniões políticas seriam proibidas, informou, depois, ter detido 22 manifestantes, dos quais pelo menos quatro eram líderes dos protestos.

A decisão do Governo foi tomada depois de, na quarta-feira, dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia terem saído às ruas, no centro histórico de Banguecoque, para pedir a renúncia do Governo e reformas que limitem o poder dos militares e da monarquia, esta última uma questão altamente controversa no país.

O protesto, que coincidiu com o aniversário da revolução estudantil de 1973, foi pacífico, mas registou um gesto de rebelião sem precedentes, quando os manifestantes se aproximaram da comitiva de carros em que viajavam a rainha Suthida e o príncipe herdeiro Dipangkorn.

Dois ativistas tailandeses foram formalmente acusados de violência contra a rainha, uma das medidas mais graves aplicadas pelas autoridades de Banguecoque contra as manifestações pró-democracia. 

A lei que protege a rainha de atos de violência é uma das mais severas do país, podendo os dois acusados ser condenados a uma pena entre 16 anos de prisão e prisão perpétua.

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