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Líbano e Israel iniciam conversações sobre fronteiras marítimas

O Líbano e Israel iniciam hoje conversações diretas sobre as fronteiras marítimas, sob a mediação dos Estados Unidos, com as duas partes a invocarem questões técnicas e afastando a possibilidade de normalização de relações. 

Líbano e Israel iniciam conversações sobre fronteiras marítimas
Notícias ao Minuto

11:07 - 14/10/20 por Lusa

Mundo Líbano

A sessão inaugural destas negociações inéditas durou cerca de uma hora e a segunda ronda deverá decorrer em 28 de outubro, noticia a agência France-Presse, que cita uma fonte militar libanesa.

Os esforços de mediação por parte dos Estados Unidos sobre o contencioso relacionado com as fronteiras marítimas começaram há dez anos, mas apenas este mês foi alcançado um acordo sobre o quadro negocial.

Os avanços foram condicionados pela profunda crise económica que está a afetar o Líbano, assim como pela imposição de sanções de Washington contra dois membros do governo de Beirute ligados ao Hezbollah (Partido de Deus).

Os Estados Unidos e Israel, além dos países europeus e de alguns Estados Árabes, consideram o Hezbollah um grupo terrorista iraniano. 

Beirute espera que a extração de crude e gás em águas territoriais libanesas venham a auxiliar as medidas que tentam enfrentar a crise económica e ajudem a pagar a uma das mais elevadas dívidas externas do mundo, correspondente a 170% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

As negociações, sob a mediação norte-americana, decorrem no posto das Nações Unidas de Ras Naquoura situado no limite da fronteira entre os dois países perto da cidade de Naqoura.

Os oficiais de ligação da delegação libanesa são os membros das Nações Unidas baseados no país e diplomatas dos Estados Unidos.  

Israel e o Líbano não têm relações diplomáticas e encontram-se tecnicamente em estado de guerra. 

Os dois Estados reclamam 860 quilómetros quadrados de zona marítima exclusiva no Mar Mediterrâneo.

"Não temos ilusões. O nosso objetivo não é criar condições para a normalização ou qualquer espécie de processo de paz", disse uma fonte oficial israelita ligada ao Ministério da Energia que pediu anonimato.

"O nosso objetivo é estrito e limitado e, por isso, perfeitamente possível de ser alcançado", acrescentou a mesma fonte à agência France-Presse

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Líbano (demissionário), Charbel Wehbi, disse que os negociadores de Beirute "vão ser mais enérgicos" do que Israel espera "porque não têm nada a perder".

Whebi acrescentou que "não há qualquer interesse em fazer concessões" se a economia libanesa "colapsar". 

Beirute já começou operações de prospeção e perfuração e espera mesmo começar a extração de gás natural nos próximos meses numa zona de expansão de 10 blocos marítimos, três dos quais reclamados pelas autoridades israelitas. 

Israel já desenvolve projetos de extração de gás natural no Mediterrâneo e que é utilizado para o consumo interno e exportação para o Egito e Jordânia

David Shenker, representante dos assuntos do Médio Oriente da Secretaria de Estado norte-americana, chegou a Beirute na terça-feira para participar no início das conversações.

Shenker é acompanhado pelo embaixador John Desrocher, que os mediadores dos Estados Unidos nestes contactos.

A delegação israelita é encabeçada pelo diretor-geral do Ministério da Energia, Udi Adiri, e os quatro membros da delegação libanesa vão ser dirigidos pelo brigadeiro-general Bassam Yassim, vice-chefe do Estado-Maior do Exército do Líbano. 

O grupo negocial de Beirute encontrou-se na terça-feira com o presidente libanês Michel Aoun que sublinhou tratar-se de negociações técnicas destinadas apenas a definir as fronteiras marítimas.

O Hezbollah disse na semana passada que as conversações não indicam qualquer tipo de reconciliação com Israel.

Os membros do Partido de Deus no Parlamento de Beirute disseram que a definição dos limites marítimos são um assunto de "soberania nacional" pelo qual o Estado é responsável. 

Hoje de manhã, o Hezbollah e o Amal, grupo aliado do Partido de Deus no Parlamento, difundiram um comunicado conjunto em que expressam reservas sobre a presença de civis na delegação libanesa às conversações e pediram que o grupo seja constituído apenas por militares. 

Na cidade de Naqoura já se verificaram contactos indiretos entre libaneses e israelitas sobre violações na fronteira terrestre.

Nos anos 1990, Israel e o Líbano chegaram a estabelecer contactos indiretos no quadro das propostas para os acordos de paz israelitas.

Na altura, palestinianos e jordanos assinaram os acordos, mas o Líbano e a Síria rejeitaram as propostas.  

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