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Chefe da diplomacia turca critica "arrogância" da UE ao receber Ann Linde

O chefe da diplomacia turca indignou-se hoje com a "arrogância" da União Europeia, numa tensa conferência de imprensa com a sua homóloga sueca, após esta ter "instado" a Turquia a retirar-se do norte da Síria.

Chefe da diplomacia turca critica "arrogância" da UE ao receber Ann Linde
Notícias ao Minuto

16:16 - 13/10/20 por Lusa

Mundo Turquia

"Utilizar o termo 'instar' é arrogante e errado em diplomacia (...) Tentam dar lições sobre a lei internacional e direitos humanos à Turquia (...), mas praticam (a política) de dois pesos, duas medidas", disse irritado Mevlut Cavusoglu dirigindo-se à ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Ann Linde.

Esta tinha acabado de lembrar, numa conferência de imprensa conjunta com Cavusoglu em Ancara, a posição da UE "instando" a Turquia a retirar-se do nordeste da Síria e criticando o envio de um navio turco de exploração de gás para o Mediterrâneo oriental, com o risco de reavivar a tensão com a Grécia.

Linde também defendeu o direito da UE ter contactos com os diferentes grupos ativos no norte da Síria e pediu que se distinga entre o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, ligado à guerrilha e considerado terrorista pela Turquia e pela UE) e a principal milícia curda na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG), que foi essencial na luta contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

Desde 2016, a Turquia realizou três operações militares no norte da Síria, nomeadamente para perseguir os combatentes das YPG, consideradas como "terroristas" por Ancara devido às suas ligações ao PKK.

Para o ministro turco, a Europa pede a retirada de Ancara do norte da Síria apenas para apoiar o PKK. "Nós não queremos dividir a Síria, mas vocês apoiam o PKK que quer", acusou Cavusoglu.

"Pedem à Turquia para se retirar de Idlib (no noroeste da Síria)? Não. Porque neste caso os refugiados viriam para a Europa", afirmou.

O ministro turco criticou ainda a homóloga sueca por falar "dos direitos soberanos do Chipre", mas "sem mencionar os direitos dos cipriotas turcos" nem "a distribuição justa dos recursos de hidrocarbonetos".

O conflito com a Turquia no Mediterrâneo oriental envolve diretamente dois Estados-membros da UE, a Grécia e a República de Chipre, a parte sul da ilha dividida e reconhecida internacionalmente.

Chipre está dividida há quase 50 anos, na sequência da intervenção militar da Turquia em 1974, e a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), que ocupa o terço norte da ilha, só é reconhecida por Ancara.

A Turquia assume o estatuto de protetor da população cipriota turca e considera que esta deve também partilhar os eventuais benefícios provenientes das jazidas de gás detetadas ao largo da ilha.

"É sensível aos direitos humanos. Porque é que não critica a Grécia que afunda embarcações de refugiados e os expulsa? Acabem com as duas medidas", disse ainda Cavusoglu.

"Enquanto convidada aqui, não entrarei em polémica", respondeu Linde, precisando que o seu encontro com o homólogo turco tinha sido "muito amistoso e sincero".

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