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Alemanha pede à Turquia que ponha fim a "provocação" no Mediterrâneo

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão pediu hoje à Turquia que ponha fim à "provocação" no Mediterrâneo oriental, para onde Ancara enviou um navio de exploração de gás natural que pode reacender um conflito com a Grécia.

Alemanha pede à Turquia que ponha fim a "provocação" no Mediterrâneo

"Se de facto houvesse novas explorações de gás turco nas zonas marítimas mais controversas do Mediterrâneo oriental, isto seria um grande revés para os esforços de pacificação", acrescentou em comunicado o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, que visita hoje a Grécia e o Chipre para discutir estas tensões.

A Alemanha, que assume atualmente a presidência rotativa da União Europeia, exortou ainda a Turquia "a não fechar a janela de diálogo que acaba de ser aberta com a Grécia, por causa de medidas unilaterais".

Atenas condenou na segunda-feira o envio do navio de exploração turco Oruç Reis para o Mediterrâneo Oriental, considerando tratar-se de uma ameaça à paz e à segurança na região.

Já na segunda-feira o Governo francês se declarara "preocupado" com o envio pela Turquia de um navio de exploração para o Mediterrâneo oriental, zona no centro de forte tensão entre Ancara e a União Europeia, em particular a Grécia e o Chipre.

A Turquia anunciou na segunda-feira o envio do navio Oruç Reis, que deverá ficar ao largo das ilhas gregas até 20 de outubro para procurar gás natural. Uma situação semelhante causou forte tensão diplomática e militar em agosto e setembro.

Numa cimeira recente, a UE ameaçou Ancara com sanções se a Turquia não acabasse com as atividades de exploração energética nas águas reivindicadas por Chipre e pela Grécia.

A descoberta de grandes jazidas de gás natural nos últimos 10 anos junto às costas da ilha dividida de Chipre abriu novas perspetivas sobre o fornecimento de energia a partir desta região.

A Turquia, potência regional, foi excluída dos contratos de exploração dos recursos energéticos, reivindicados por oito países, da Líbia ao Egito e Israel.

O conflito com a Turquia envolve diretamente dois Estados-membros da UE, a Grécia e a República de Chipre, a parte sul da ilha dividida e reconhecida internacionalmente.

Chipre está dividida há quase 50 anos, na sequência da intervenção militar da Turquia em 1974, e a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), que ocupa o terço norte da ilha, só é reconhecida por Ancara.

A Turquia assume o estatuto de protetor da população cipriota turca e considera que esta deve também partilhar os eventuais benefícios provenientes das jazidas de gás detetadas ao largo da ilha.

A iniciativa da Turquia, país que integra a Aliança Atlântica, tem vindo a aumentar as tensões políticas entre Ancara e a União Europeia, nos últimos meses, porque Atenas considera a presença dos navios turcos na região uma ameaça à integridade territorial do país.

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