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Repressão de protestos na Guiné Conacri provoca 90 mortos

A oposição na Guiné-Conacri quantificou hoje em pelo menos 90 o número de mortos desde há um ano, por ocasião dos protestos contra um terceiro mandato do presidente cessante, Alpha Condé, número que o governo considera sem fundamento.

Repressão de protestos na Guiné Conacri provoca 90 mortos

Seis dias antes de uma eleição onde Condé procura suceder a si próprio, a Frente Nacional para a Defesa da Constituição (FNDC) publicou uma lista de nomes, que disse serem de vítimas da repressão governamental à contestação.

Com referência a 14 de outubro de 2019, a lista conta com 90 nomes, que passam para 92 se se incluírem duas pessoas mortas antes, em junho.

Daquelas, pelos menos 45 foram mortas por bala, especificou a FNDC, que junta partidos, sindicatos e personalidades do país.

Dos 92 mortos, oito ainda não foram identificados, por terem sido sepultados de noite, depois de violências ocorridas em Nzérékoré, no sul do país, durante ações de contestação ao referendo constitucional controverso de 22 de março, declarou um dirigente da FNPC, Sékou Koundouno, à AFP.

Condé, eleito em 2010 e reeleito em 2015, fez aprovar uma nova Constituição que lhe permite, segundo os seus apoiantes, disputar um terceiro mandato consecutivo, o que vai ocorrer no domingo.

Desde há um ano que a FNDC tem mobilizado, por várias vezes, milhares de pessoas contra esta candidatura. Os protestos foram violentamente reprimidos por várias vezes.

Os defensores dos direitos humanos têm acusado as forças da ordem de um uso excessivo da força, que é notório desde há muito. Da mesma forma, criticaram a antiga tradição de impunidade dos seus autores.

As versões dos acontecimentos apresentadas pelas oposição e pelos titulares do poder têm sido sistematicamente contraditórias.

O ministro da Segurança, Albert Damantang Camara, recusou disse que se recusava a participar em uma "contabilidade macabra", para permitir "uma exploração política".

Em declarações à AFP, disse: "Houve mortes violentas, que lamentamos, e estamos a trabalhar para que isso não se repita. Mas admirar-me-ia muito que tenha havido 92".

Camara admitiu que 42 mortes possam ter estado ligadas ao contexto político, mas recusou que sejam atribuídas às forças da ordem, apenas com base em "simples testemunhos".

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