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"És o pior presidente que a América já teve". Caos no debate presidencial

O primeiro debate presidencial nos Estados Unidos foi uma cacofonia de interrupções e insultos, com Joe Biden a apresentar uma postura mais agressiva em relação ao seu adversário, Donald Trump, que capitalizou a sua capacidade de interromper, baralhar e desviar o assunto.

"És o pior presidente que a América já teve". Caos no debate presidencial

"Palhaço", "tolo", "racista". São três alegações difíceis de ouvir num debate presidencial, pelo menos, nos Estados Unidos, mas esta terça-feira à noite (madrugada de quarta-feira em Portugal) foram ouvidas em Cleveland, onde se realizou o primeiro de três debates entre Joe Biden e Donald Trump, os candidatos democrata e republicano às eleições presidenciais, que se realizam a 3 de novembro.

Mais surpreendente será, talvez, saber-se que as três acusações partiram de Joe Biden, o candidato que nos debates das primárias não fazia uma crítica a um colega que não viesse acompanhada de um elogio. O antigo vice-presidente de Barack Obama mudou o registo e, esta terça-feira, apresentou uma postura ofensiva que poucas vezes exibiu antes - disse, a dada altura, a Trump: "És o pior presidente que a América alguma vez teve". Numa noite muito atípica, Biden chegou a admitir ser "difícil responder seja a o que for com este palhaço", ainda que depois tentando corrigir a ofensa. "Peço desculpa... com esta pessoa". 

A situação mais tensa para Biden aconteceu quando Trump lançou várias acusações de corrupção e abuso de drogas ao filho de Joe Biden, Hunter Biden, que o democrata defendeu serem "comprovadamente falsas". Biden disse que o único problema do seu filho era o vício, "que afeta muitos americanos", acrescentando que "não fez nada de errado" e que "tem orgulho" nele.

De uma forma geral, o debate caiu várias vezes no caos, gerado ora pelas inúmeras interrupções de Donald Trump, que cortava Biden em quase todas as suas respostas, ora pelas tentativas de Chris Wallace, pivô da 'Fox News Sunday', de moderar as acusações de parte a parte. As estratégias de ambos os candidatos pareciam ser as seguintes: Trump usava a interrupção como forma de baralhar e confundir a mensagem de Biden e Biden usava os sorrisos e os esgares de desaprovação como forma de escapar aos ataques de Trump. Durante todo o debate, porém, Biden manteve sempre um olho no ecrã, falando para o eleitor.

Os tópicos escolhidos para esta primeira troca de argumentos foram a pandemia, a economia, o racismo e a violência, a nomeação para o Supremo Tribunal e as declarações de impostos do atual presidente, tema de uma extensa reportagem publicada na segunda-feira pelo New York Times. Deixamos abaixo um resumo de alguns dos temas:

A pandemia do novo coronavírus

“Acreditam por um só momento naquilo que ele vos diz, à luz de todas as mentiras que eles vos disse sobre a Covid-19?”, questionou Biden, fazendo menção da menorização do vírus que o líder republicano foi gravado em áudio a admitir, numa entrevista ao jornalista Bob Woodward. O antigo vice lembrou, também, que os Estados Unidos “têm 4% ou 5% da população mundial e 20% das mortes” associadas ao novo coronavírus, acusando o seu oponente de má gestão da pandemia. Trump reagiu dizendo  que “a culpa é da China”, que tem feito “um excelente trabalho” e que Biden faria “muito pior”.

Quando o moderador questiona sobre o uso de máscaras, Trump tentou desviar-se das críticas de que raramente as usa (e de que estimula grandes aglomerações nos seus eventos de campanha) dizendo que Biden não causa aglomerações porque ninguém aparece. “Eu uso máscaras, só não uso como ele (Biden), cada vez que o vemos está de máscara. Podemos estar a falar a 60 metros de distância e ele aparece com a maior máscara que alguma vez vimos”, disse Trump. Sobre os eventos de campanha? “As pessoas querem ouvir o que eu tenho a dizer”, atirou.

Os impostos de Donald Trump

Biden acusou Trump de pagar menos impostos que a maioria dos professores, depois do New York Times ter obtido acesso às suas declarações fiscais dos últimos 20 anos e ter concluído que o líder republicado pagou impostos em apenas 10 dos 15 anos anteriores à sua eleição, em 2016. Trump, o único presidente norte-americano desde os anos 70 a recusar tornar as suas declarações fiscais públicas, negou as notícias, que chamou de falsas, e repetiu que paga “milhões em impostos”. "Mostra-nos as declarações”, desafiou Biden. “Vais vê-las quando estiverem terminadas”, respondeu Trump.

Mesmo pressionado pelo moderador, que perguntou especificamente pelos valores de I.R.S. pagos em 2016 e 2017 (750 dólares), de impostos pessoais, Trump recusou-se a dar uma explicação concreta, negando as alegações. Diz apenas que “ninguém gosta de pagar impostos”, mas que “como qualquer outro empresário privado, rege-se pela lei”. Biden acusou-o de se aproveitar da lei para contornar o pagamento de impostos. “És o pior presidente que a América alguma vez teve”, atirou, quando foi interrompido por Trump.

Nomeação para o Supremo Tribunal

A primeira questão colocada pelo moderador foi sobre a nomeação da conservadora Amy Coney Barrett para o lugar deixado vago no Supremo Tribunal por Ruth Bader Ginsburg. Chris Wallace sublinhou que o partido republicano tem sido alvo de crítica por avançar com a confirmação da jurista antes das eleições. Trump respondeu que venceu as eleições em 2016 e que “as eleições têm consequências”, garantindo que Barrett “é tão boa quanto qualquer outra pessoa que serviu no Supremo”. “Ganhámos as eleições e portanto temos direito de a escolher”, disse.

Biden lembrou que as pessoas já estão em processo eleitoral e que o seu entendimento deve ser levado em conta. “Devemos esperar para ver qual é o resultado desta eleição”, disse o democrata, lançando-se, porém, a um dos seus principais cavalos de batalha contra Trump: o Affordable Care Act (sistema de saúde para os mais desfavorecidos). Sublinhando que o atual presidente “tornou claro que quer acabar com o Affordable Care Act”, explicou que a nomeação apressada de Barrett é feita com esse intuito, mas sem criticar diretamente a magistrada.

Racismo e violência

Já na questão do racismo e da violência que, consequentemente, tem eclodido em várias cidades norte-americanas, o jornalista Chris Wallace questionou diretamente Donald Trump, desafiando-o a condenar os supremacistas brancos e membros de milícias espalhados pelo país.  O presidente mostrou-se claramente incomodado com a pressão para o fazer. "Que é que quer que eu diga?", atirou. Wallace repetiu que era necessário um alerta para contenção, limitando-se o presidente a pedir ao grupo de extrema-direita Proud Boys para "ficarem em stand-by". "Alguém tem de fazer alguma coisa por causa dos antifa [antifascistas] e da esquerda", acrescentou, recusando-se a condenar qualquer ato por parte dos extremistas. Joe Biden retorquiu que o próprio diretor do FBI da administração Trump, Chris Wray, disse que "antifa" é uma ideologia, não um grupo organizado. Trump disse que o diretor do FBI está errado.

Donald Trump posicionou-se como o presidente da "lei e ordem" e acusou Biden de querer abolir as forças de segurança, algo que o democrata negou. "Eu sou a favor da lei e da ordem e da justiça, para que todos sejam tratados igualmente", disse Biden.

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