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Historiadora Anne Applebaum diz que base de apoio de Trump não mudou

A jornalista e historiadora norte-americana Anne Applebaum disse hoje à Lusa que as presidenciais nos Estados Unidos vão decidir-se nos estados indecisos, mas nota que a base de apoio de Donald Trump é "determinada" e mantém-se inalterada. 

Historiadora Anne Applebaum diz que base de apoio de Trump não mudou

"Eu penso que a base - 25% dos americanos que se identificam com o Partido Republicano e que apoiam fortemente Donal Trump - não mudou. Na verdade, esses apoiantes estão mais determinados do que nunca e estão dispostos a aceitar uma imagem completamente falsa do mundo", disse à Lusa Anne Applebaum, 56 anos, Prémio Pulitzer em 2003.

Applebaum analisa e critica abertamente a presidência de Donald Trump no livro "O Crepúsculo da Democracia", recentemente publicado em Portugal (Bertrand Editora), notando, no entanto, que há republicanos insatisfeitos com a Administração norte-americana, sobretudo por causa da gestão da atual crise sanitária. 

"Em todo o caso, há outros republicanos que estão aborrecidos com Trump, porque mente abertamente e porque é incompetente em relação à pandemia (de covid-19). Provavelmente esses estarão dispostos a mudar de lado", acrescenta.

"Eu penso que é quase impossível Donald Trump conseguir ganhar o voto popular - é claro que vai perder esses votos e vai perder de forma drástica. O que eu não sei é como os republicanos nos estados 'swing' vão votar. É provável que estas eleições venham a ser decididas por um pequeno número de votos em alguns locais", diz a investigadora, referindo-se aos estados que, por não serem claramente democratas ou republicanos, oscilam consoante as eleições e decidem o vencedor.

A pouco mais de um mês das eleições nos Estados Unidos, as sondagens indicam que o voto ainda está por decidir na Pensilvânia, Wisconsin, Michigan, Arizona, Carolina do Norte e Florida.

No livro "O Crepúsculo da Democracia - O fracasso da política e o apelo sedutor do autoritarismo", a autora, que foi uma das primeiras jornalistas ???????a denunciar a interferência russa nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos estabelece o perfil dos apoiantes de Donald Trump.

A autora refere no livro que "por volta de 2016", alguns argumentos da "velha esquerda marxista - o ódio pela política burguesa convencional e o desejo da mudança revolucionária" cruzaram-se com o "desespero" da direita cristã em relação ao futuro da democracia norte-americana e que juntas, produziram a retórica de campanha "nostálgico-restauradora" de Donald Trump.

"Dois anos antes (das eleições de 2016), Trump criticara o fracasso norte-americano e sugerira uma solução que teria agradado a Trotsky: 'sabem o que resolve isto? Quando a economia entrar em colapso, quando o país se transformar num autêntico inferno e tudo for um desastre, então, teremos (...) motins para voltarmos ao sítio onde costumávamos estar quando éramos grandes'" (página 150), escreve Anne Applebaum.

Neste último livro, a jornalista, casada com Radeck Sikorski, ex-ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros do primeiro governo polaco de centro-direita, assume-se como uma liberal defensora da democracia e da pluralidade e alerta para os perigos do totalitarismo a nível global.

Além da situação nos Estados Unidos, Anne Applebaum destaca os casos do "desmantelamento do Estado de Direito" na Polónia; Hungria; os efeitos políticos do 'Brexit' e o Governo de Boris Johnson no Reino Unido; Brasil, Rússia, República Popular da China e a "eficiente" máquina de propaganda do Vox partido de extrema-direita espanhol, através do uso da internet e das redes sociais. 

"A atual crise da democracia não tem promovido uma 'onda positiva' por parte das pessoas que gostariam de expandir a democracia ou fazer com que a democracia funcionasse melhor e com mais direitos. Verifica-se uma polarização profunda em que a propaganda do medo e do ódio está a ser inculcada nas populações", disse ainda à Lusa Anne Applebaum

A jornalista é autora das obras "Gulag" e "Cortina de Ferro, o fim da Europa de Leste" e foi editora do Spectator, e colunista, entre outros, do Washington Post, The Economist e da revista The Atlantic.

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