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Ativista pró-democracia Joshua Wong detido por "reunião ilegal"

O ativista de Hong Kong pró-democracia Joshua Wong foi hoje detido pela polícia, acusado de participar numa "reunião ilegal", numa manifestação no ano passado, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), que citou o advogado.

Ativista pró-democracia Joshua Wong detido por "reunião ilegal"

Wong é ainda acusado de violar uma lei que proibia o uso de máscaras nos protestos pró-democracia que agitaram o território, no ano passado.

A detenção foi confirmada igualmente pela emissora pública RTHK, que apontou que Joshua Wong estava acompanhado por um advogado.

Numa mensagem publicada hoje no perfil de Joshua Wong na rede social Twitter, pode ler-se que o ativista "foi detido quando se apresentou na Esquadra Central da Polícia, cerca das 13:00 de hoje [06:00 da manhã em Lisboa]".

Na mensagem, acrescenta-se ainda que "a detenção está relacionada com a participação numa assembleia não autorizada em 05 de outubro, no ano passado", e que Wong é também acusado de "violar a draconiana lei anti-máscara", cujo texto foi depois considerado inconstitucional.

O advogado do jovem ativista, Jonathan Man, disse à AFP que o jovem foi detido quando se apresentou na esquadra para um controlo judicial, no âmbito de outro caso que ainda não foi julgado.

"Wong é suspeito de ter participado numa reunião ilegal em 05 de outubro, quando centenas e centenas de pessoas se manifestaram para protestar contra a interdição do uso de máscara decidida pelo Governo", acrescentou o advogado.

As autoridades locais invocaram disposições de 1922, que não eram usadas desde 1967, para proibir o uso de máscaras durante os protestos, em 2019, com a justificação de que o seu uso facilitaria comportamentos violentos por parte dos manifestantes.

Um dia depois do anúncio, em 04 de outubro, manifestantes saíram às ruas para protestar contra a proibição.

Com 23 anos, Wong é um dos rostos mais conhecidos da chamada "revolução dos guarda-chuvas", em 2014, e chegou a ser detido e condenado após os protestos desse ano. Foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz, em 2017, e esteve preso em 2018, tendo sido mais tarde libertado.

Em 30 de julho, o ativista foi afastado das eleições parlamentares, que chegaram a estar agendadas para setembro, mas foram adiadas por um ano, alegadamente por receios ligados à pandemia.

O jovem fundou o partido Demosisto, dissolvido pelos seus responsáveis no dia em que a lei de segurança nacional entrou em vigor.

Nessa altura, o ativista disse à Lusa que temia ser um dos principais alvos da lei imposta por Pequim ao território, na sequência dos protestos pró-democracia que agitaram Hong Kong em 2019.

Promulgada em 30 de junho pelo Presidente chinês Xi Jinping, a nova lei permite punir quatro tipos de crimes contra a segurança do Estado: atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras que ponham em risco a segurança nacional em Hong Kong.

Os crimes contra a segurança nacional passaram a ser passíveis de prisão perpétua no território.

A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, além de diversas organizações não-governamentais (ONG), expressaram o receio de que a lei sirva para silenciar vozes críticas em Hong Kong, após um ano de protestos que levaram a nove mil detenções na ex-colónia britânica.

Hong Kong regressou à China em 1997, sob um acordo que garantia ao território 50 anos de autonomia e liberdades desconhecidas no resto do país, ao abrigo do princípio "Um país, dois sistemas", tal como acontece com Macau desde 1999.

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