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Políticos acusam Bolsonaro de "mentir" na ONU sobre pandemia

Políticos brasileiros acusaram hoje o Presidente, Jair Bolsonaro, de "mentir" na 75.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ao referir que concedeu um auxílio de aproximadamente mil dólares para 65 milhões de pessoas na pandemia.

Políticos acusam Bolsonaro de "mentir" na ONU sobre pandemia

No seu discurso de abertura da 75.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro declarou que o seu Governo "concedeu um auxílio de emergência, em parcelas que somam aproximadamente 1.000 dólares [854 euros ou 5.470 reais, no câmbio atual], para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez um dos maiores do mundo".

Contudo, esse valor foi contestado por vários políticos da oposição, que acusaram o chefe de Estado de estar a "mentir".

"É surreal assistir o que Bolsonaro fez hoje. É ridículo. Irresponsabilidade sem tamanho. O Governo que ofereceu 200 reais [31 euros] para o povo falando em mil dólares de auxílio???? (...) Mentira: os brasileiros não receberam 1.000 dólares. (...) A quantidade de mentiras que Bolsonaro preparou para esse discurso na 75.ª Assembleia Geral da ONU", escreveu na plataforma social Twitter o senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT).

"Bolsonaro a mentir na ONU. Para variar. Nenhum centavo a menos! Precisamos que o parlamento vote a MP (Medida Provisória) 1.000 e amplie o valor do auxílio de 300 para 600 reais!!!!", indicou por sua vez a deputada federal Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Jandira Feghali partilhou ainda a análise feita pelo ator brasileiro Armando Babaioff: "Mesmo somando todas as parcelas do auxílio emergencial, o valor não chegaria a 1.000 dólares como foi anunciado pelo Presidente, aliás ele e a sua equipa defendiam o benefício no valor 200 reais e hoje usa o auxílio para falar bem da própria 'gestão' durante a pandemia. Faça-me o favor".

Já a presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann classificou Bolsonaro de "mentiroso patológico" e de "desvio de caráter".

"Devastação do Pantanal/Amazónia, fome, desemprego, economia em queda livre, mas o Brasil de Bolsonaro é um universo paralelo. Enumera mentiras na ONU como auxílio de 1.000 dólares, quem faz queimadas são os indígenas e caboclos. Não é só um mentiroso patológico, é desvio de caráter mesmo", criticou Gleisi.

Em causa está um subsídio mensal, no valor de 600 reais (cerca de 93,5 euros), que começou a ser atribuído pelo Ministério da Economia do Brasil em abril, para ajudar as pessoas com baixos rendimentos a enfrentar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Esse auxílio mensal de emergência de 600 reais tinha um prazo inicial de três meses, mas acabou por ser prorrogado por mais dois meses, até agosto. Já no início de setembro, o executivo de Bolsonaro anunciou que estenderá a ajuda até ao final do ano, mas em parcelas menores, reduzindo o valor para 300 reais mensais (46,7 euros).

Contudo, a gestão de Bolsonaro frisou que só terá acesso às parcelas finais quem recebeu o primeiro montante, em abril, deixando de fora muitos cidadãos carenciados que só se conseguiram inscrever no programa depois desse período.

Segundo os critérios do próprio Governo, têm direito a esta ajuda trabalhadores informais (sem contrato de trabalho) ou por conta própria, desempregados e micro empreendedores.

Tendo em conta a cotação atual do dólar, o valor de 600 reais pago pelo executivo nos primeiros cinco meses da pandemia equivale a cerca de 110 dólares mensais, num total de 550 dólares. Acrescentando as restantes quatro parcelas que serão pagas até ao final do ano, de 300 reais, o valor equivale a cerca de 55 dólares, totalizando 220 dólares.

Ou seja, feitas as contas, mesmo somando todas as parcelas, o valor não chega aos 1.000 dólares anunciados por Bolsonaro, rondando os 770 dólares.

"O auxílio de emergência vai ter, ao todo, nove parcelas: 5x de 600 reais e 4x de 300 reais. Total de 4.200 reais = 771 dólares. Bolsonaro inflou o valor em quase 30%, mas vocês não estão preparados para essa conversa", analisou a vereadora Janaína Lima, do partido Novo.

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