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Erdogan sugere conferência de Mediterrâneo oriental com cipriotas turcos

Nova Iorque, 22 set 2020 (Lusa) - O Presidente da Turquia propôs hoje a realização de uma conferência regional dos países do Mediterrâneo oriental, com a participação dos cipriotas turcos, para obter uma solução que salvaguarde os interesses de todos os países da região.

Erdogan sugere conferência de Mediterrâneo oriental com cipriotas turcos
Notícias ao Minuto

17:16 - 22/09/20 por Lusa

Mundo Turquia

Na sua intervenção durante o debate geral da 75.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, o Presidente turco lamento que seu país seja "forçado a transportar sozinha o fardo de qualquer desenvolvimento negativo no Mediterrâneo oriental", mas advertiu todos aqueles que ignoram o seu país em torno dos recursos naturais, após a recentes descoberta de importante jazidas de gás nos mares da região.

"A nossa prioridade é solucionar as disputas através de um diálogo sincero, com base na lei internacional e numa base equitativa. No entanto gostava de referir de forma clara que nunca toleraremos qualquer imposição, assédio ou ataque vindo da direção oposta", assinalou, antes de voltar a apelar para o "estabelecimento do diálogo e cooperação" entre todos países ribeirinhos do Mediterrâneo oriental.

"Nesse sentido, gostávamos de propor a realização de uma conferência regional, incluindo os cipriotas turcos, na qual os direitos e interesses de todos os países da região sejam considerados", assinalou.

No seu discurso de quase meia hora e transmitido por videoconferência, Erdogan também recorreu à situação de longo impasse na ilha de Chipre, dividida entre cipriotas gregos e turcos, para justificar a persistência das tensões na região.

"Uma das razões da crise na região consiste na ausência de uma solução justa, inclusiva e permanente da questão de Chipre no decurso das negociações que prosseguem interminavelmente desde 1968", disse.

Nesta perspetiva, acusou o "lado cipriota grego" - numa referência à República de Chipre internacionalmente reconhecida - de construir "o único obstáculo" a uma solução através de uma abordagem "rígida, injusta e negativa".

E sublinhou que, "ao ignorar os acordos internacionais, o lado cipriota grego pretende tornar os cipriotas turcos numa minoria no seu próprio país, ou mesmo excluí-los completamente da ilha", numa referência à autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), que ocupa o terço norte da ilha e apenas reconhecida por Ancara, que desde a invasão militar de 1975 mantém dezenas de milhares de tropas no terreno.

Após frisar que a Turquia jamais abandonará o povo cipriota turco "na sua justa causa, nem os abandonaremos no futuro", reafirmou que a solução para a questão de Chipre "apenas será possível" pela aceitação de que o povo cipriota turco é "um dos dois donos" da ilha.

"Apoiaremos qualquer solução que garante em permanência a segurança do povo cipriota turco e os seus direitos políticos e históricos na ilha", indicou no decurso da sua intervenção, onde também abordou diversos temas internos e internacionais.

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