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ONU pede ação mais rápida na ilha de Lesbos, repleta de refugiados

As Nações Unidas instaram a Grécia a "acelerar" os procedimentos para o asilo em Lesbos para que milhares de migrantes, sem abrigo desde o incêndio em Moria há uma semana, possam deixar a ilha.

ONU pede ação mais rápida na ilha de Lesbos, repleta de refugiados

"A ideia não é que essas pessoas fiquem para sempre na ilha de Lesbos. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) está a pressionar as autoridades [gregas] para que acelerem o processo [de pedido de asilo] para que as pessoas não fiquem muito tempo", afirmou o representante da ONU Philippe Leclerc, em frente à entrada do campo de emergência montado à pressa depois do incêndio.

Por seu lado, o ministro grego da Proteção Civil, Michalis Chrysochoidis, estimou que "metade" dos migrantes poderia deixar a ilha "no Natal" e "os outros na Páscoa".

Desde o incêndio em Moria na semana passada, a Alemanha, pressionada pela sua opinião pública, anunciou a receção de 1.500 migrantes atualmente na Grécia, e algumas centenas de menores desacompanhados também puderam deixar Lesbos a caminho de países europeus.

Diante das tendas brancas do campo de emergência, destinado a acolher 8.000 pessoas, o responsável do ACNUR "incentivou" os migrantes de Moria a mudarem-se para lá, porque é ali "que os procedimentos vão continuar, onde as soluções podem ser encontradas e as pessoas podem deixar a ilha".

Porém, questionado sobre os receios de que este novo campo se torne num segundo Moria sobrelotado, com condições insalubres e perigosas, Leclerc espera "que as autoridades não caiam nos mesmos erros do passado".

"É uma solução de emergencia e deve continuar a ser uma solução de emergência", insistiu, apelando a que a população do campo seja regulamentada para não retroceder "numa situação como [na ilha de] Samos ou Moria".

O objetivo é que os refugiados "possam, gradual e calmamente deixar a ilha para Atenas" ou "serem reinstalados noutros lugares".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu hoje que "todos os estados membros da União Europeia intensifiquem os seus esforços".

"As imagens do campo de Moria são um doloroso lembrete de que a Europa deve agir em unidade", afirmou no Parlamento Europeu.

O debate sobre a falta de solidariedade entre os países europeus foi relançado desde o incêndio de Moria.

A Comissão Europeia quer "abolir" o regulamento "Dublin" que confia a responsabilidade do tratamento dos pedidos de asilo no país de primeira entrada dos migrantes na UE.

"[Vamos] substituí-lo por um novo sistema europeu de governança de migrações", prometeu a chefe do Executivo europeu.

A Comissão deve apresentar a tão esperada e repetidamente rejeitada proposta de reforma da política europeia de migração ainda este mês.

O enorme campo de Moria, erguido há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído por um incêndio na noite de 08 para 09 de setembro.

Na altura, era o lar de mais de 12.000 exilados que fugiram das guerras e da miséria, que desde então se viram sem abrigo, dormindo no asfalto em chamas, vagueando na pobreza pelas estradas da ilha.

Seis jovens afegãos são suspeitos de estarem envolvidos no desastre, quatro dos quais serão hoje indiciados em Lesbos por incêndio criminoso, incitação à violência a uso ilegal de força.

Os outros dois suspeitos, de 17 anos, já tinham sido transferidos para o continente num grupo de 400 menores desacompanhados de Moria, mas serão encaminhados para o Ministério Público em data posterior, segundo fonte judicial.

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