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"Opositor" dentro do governo divulga dados negativos sobre queimadas

O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, afirmou hoje que há alguém do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe, órgão governamental) que faz "oposição" ao executivo do Presidente, Jair Bolsonaro, e divulga apenas dados negativos sobre as queimadas na Amazónia.

"Opositor" dentro do governo divulga dados negativos sobre queimadas
Notícias ao Minuto

23:18 - 15/09/20 por Lusa

Mundo Brasil

"Eu recebo relatórios todas as semanas. Até 31 de agosto, nós tínhamos cinco mil focos de incêndio a menos do que entre janeiro a 31 de agosto do ano passado. Agora, o Inpe não divulga isso. Porquê?", questionou o general Mourão em declarações aos jornalistas, após ter sido questionado sobre os incêndios que lavram na Amazónia brasileira.

"Não é o Inpe que não está a divulgar. (...) É alguém lá de dentro que faz oposição ao Governo. Eu estou a deixar muito claro isso aqui. Mas, quando o dado é negativo, essa pessoa vai lá e divulga. Quando é positivo, não divulga", acrescentou o vice-presidente, frisando que não sabe de quem se trata.

Além da vice-presidência do Brasil, Mourão lidera o Conselho Nacional da Amazónia Legal, entidade que coordena diversas ações direcionadas à preservação daquela que é a maior floresta tropical do mundo.

O Inpe, órgão governamental brasileiro que compila dados de satélites, e cujos números estão disponíveis para consulta pública, informou que não irá comentar publicamente as declarações do general Mourão.

A Amazónia brasileira registou, entre 01 de janeiro e 09 de setembro deste ano, 56.425 focos de incêndio, o maior número para o período desde 2010, segundo dados do Inpe.

Trata-se de um crescimento de cerca de 6% em relação ao mesmo período de 2019, quando se contabilizaram 53.023 incêndios, e quando as imagens das chamas nesta floresta circularam pelo mundo e geraram indignação.

A Amazónia brasileira não ardia tanto desde 2010, quando o Inpe registou 72.946 fogos na região.

O atual executivo brasileiro, liderado por Jair Bolsonaro, tem feito campanha negando que a Amazónia esteja a arder.

Exemplo disso é um vídeo divulgado na semana passada pelo Governo, que diz que o "Brasil é o país que mais preserva as suas florestas nativas no mundo".

"Essas queimadas na Amazónia são culturais e de pequena proporção", indica o vídeo, um argumento que tem sido recusado por ambientalistas e vários observadores.

Porém, as atenções viram-se também para o Pantanal brasileiro, considerada a zona mais húmida do planeta e que atravessa agora uma situação preocupante, ao enfrentar os piores incêndios das últimas décadas na região.

Nesse ecossistema, já foram registados 10.153 incêndios entre janeiro e agosto, o que representa um aumento de 221% em relação ao mesmo período do ano passado.

Especialistas indicam que o aumento das chamas na zona húmida do Pantanal se deve ao aumento da desflorestação ilegal, que vem crescendo gradativamente a cada ano, causando uma série de mudanças climáticas, como a alteração do ciclo natural das chuvas.

Este ano não choveu o suficiente durante a temporada, o que baixou os níveis de humidade do Pantanal para os menores índices dos últimos anos.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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