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Oposição da Costa do Marfim contesta validação de candidatura de Ouattara

A oposição da Costa do Marfim contestou hoje a decisão do Conselho Constitucional, que validou a controversa candidatura do Presidente, Alassane Ouattara, a um terceiro mandato e rejeitou 40 dos 44 candidatos às eleições de outubro.

Oposição da Costa do Marfim contesta validação de candidatura de Ouattara
Notícias ao Minuto

14:58 - 15/09/20 por Lusa

Mundo Alassane Ouattara

De acordo com a lista final de candidatos às eleições presidenciais de 31 de outubro na Costa do Marfim, divulgada na segunda-feira pelo Conselho Constitucional, entre os 40 candidatos rejeitados estão o ex-chefe de Estado Laurent Gbagbo e o antigo líder rebelde e ex-primeiro-ministro Guillaume Soro.

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara tinha inicialmente anunciado em março a sua decisão de desistir de concorrer a um terceiro mandato. Mudou de ideias em agosto, após a morte súbita do então primeiro-ministro e candidato presidencial do partido no poder, Amadou Gon Coulibaly.

O anúncio da sua recandidatura provocou confrontos, que resultaram pelo menos 15 mortes.

O Conselho considerou que, com a nova Constituição de 2016, o país tinha entrado numa nova República e que a contagem de mandatos tinha sido recolocada a zero, embora o novo texto, tal como o anterior, limite o número de mandatos presidenciais a dois.

Um antigo primeiro-ministro de Laurent Gbagbo, Pascal Affi Nguessan, cuja candidatura foi validada, condenou "a espiral de exclusão em que se afunda a Costa do Marfim", que descreveu como "a manifestação mais bem-sucedida da natureza tirânica do regime".

"O Conselho Constitucional perdeu a oportunidade histórica de marcar a sua independência ao aceitar a candidatura do presidente cessante, que é claramente inelegível, e ao rejeitar as candidaturas do presidente Laurent Gbagbo e de Guillaume Soro, que foram privados dos seus direitos cívicos por razões de conveniência política", acrescentou numa declaração.

Absolvido na primeira instância de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, Gbagbo aguarda um possível recurso na Bélgica.

Os seus apoiantes tinham apresentado a sua candidatura para as eleições presidenciais, mas o próprio nunca expressou a sua opinião sobre o assunto.

A candidatura foi invalidada devido a uma pena de 20 anos de prisão a que foi condenado, em janeiro de 2018, pelo sistema judicial marfinense no contexto da crise política de 2010-2011.

"Esta lista parcial e tendenciosa obriga-me a uma vitória clara para virar esta página negra na história do nosso país", disse Affi Nguessan.

Guillaume Soro, cuja candidatura foi considerada inadmissível devido a uma sentença de 20 anos de prisão por um tribunal da Costa do Marfim por "desvio de fundos públicos", tinha reagido já na segunda-feira à noite no Twitter e no Facebook.

"Contesto vigorosamente a decisão injusta e infundada tomada pelo Conselho Constitucional. Considero-a uma decisão iníqua, politicamente motivada, legalmente errada e parte de uma lógica de aniquilação da democracia e do Estado de direito", disse Soro, um antigo aliado de Ouattara a quem ajudou a chegar ao poder em 2010.

Denunciando "o perjúrio de Ouattara", Guillaume Soro, que vive no exílio em Paris, anunciou "uma nova etapa da luta pela democracia no país".

"Será amargo, mas vamos ganhar", prometeu, remetendo mais informações para uma conferência de imprensa em França, na quinta-feira.

O Partido Democrático da Costa do Marfim, do ex-Presidente Henri Konan Bédié, cuja candidatura foi validada e que se espera seja o principal opositor do Presidente Ouattara, não reagiu à decisão do Conselho.

Contudo, anunciou que não irá participar nas eleições para as Comissões Eleitorais Locais, que se realizam hoje.

O PDCI e a oposição têm vindo a pedir há meses uma reforma da Comissão Eleitoral Independente (CEI), que consideram "subserviente" ao governo e ameaçaram boicotar as eleições.

Mas, de acordo com a CEI, a falta de envolvimento do PDCI não impedirá o processo eleitoral, devendo dar ao partido do Presidente Ouattara a maioria das presidências locais.

Na segunda-feira, enquanto a decisão do Conselho Constitucional não era conhecida, manifestações e marchas contra a candidatura de Ouattara terminaram em confrontos com as forças de segurança em várias cidades da Costa do Marfim.

Uma grande força policial era visível em Abidjan hoje de manhã, tendo sido igualmente enviados reforços para outras regiões do país.

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