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Migrantes etíopes presos na Arábia Saudita denunciam celas sobrelotadas

Migrantes etíopes detidos na Arábia Saudita denunciaram estar em celas sobrelotadas, passar fome, juntamente com doentes e relataram casos de suicídio, através de telefonemas clandestinos para organizações e imprensa para alertaram para a sua situação.

Migrantes etíopes presos na Arábia Saudita denunciam celas sobrelotadas

Ativistas dos direitos humanos já instaram Riade a investigar as condições em que estes migrantes etíopes vivem nos centros de detenção sauditas.

Imagens clandestinas divulgadas pela organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) mostram muitos homens amontoados em salas sem janelas, o que tem causado choque no estrangeiro, depois de muito tempo sem que se conhecesse a realidade destes centros.

Na semana passada, as autoridades sauditas começaram a confiscar telefones e os diplomatas etíopes aconselharam os seus concidadãos a deixarem de falar sobre a sua situação, disseram à agência de notícias francesa AFP, três imigrantes confinados em duas das instalações do reino.

Os migrantes descreveram condições de vida extremas com muito pouca comida e água. "É um inferno", afirmou um homem de 23 anos à AFP, falando a partir de um centro na cidade de Jizane, no sul do país.

As casas de banho entupidas estão a transbordar e muitos migrantes desenvolveram infeções de pele e outras doenças, continuaram.

Segundo uma ativista etíope, Lema Zelalem Birhane, que tem estado em contacto com os migrantes, alguns estão presos há "mais de cinco meses" sem ver a luz do dia.

"Não recebem cuidados médicos", afirmou à AFP a partir de Adis Abeba.

Alguns dos presos perderam a esperança e houve já suicídios, segundo testemunhos recolhidos pela agência de notícias francesa e pela ativista etíope.

O ministério saudita responsável pela comunicação com os media, a Comissão dos Direitos Humanos (HRC) e a embaixada da Etiópia em Riade não responderam aos pedidos de esclarecimento da AFP.

Três centros principais foram citados pelos migrantes - dois em Jizane e um perto de Jeddah, no Mar Vermelho, de acordo com a HRW.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) também já expressou a sua preocupação sobre as "condições desastrosas" destes centros, assegurando que está em contacto com a HRC, que está a conduzir uma "investigação interna" sobre o assunto.

Durante anos, centenas de milhares de etíopes fizeram a perigosa viagem, através do Iémen dilacerado pela guerra, até à Arábia Saudita à procura de trabalho.

Em abril, rebeldes que controlavam o norte do Iémen expulsaram milhares deles para a vizinha Arábia Saudita, acusando-os de estarem infetados com o novo coronavírus, de acordo com migrantes e com a ONG HRW.

Dezenas foram mortos a tiro pelos rebeldes ou depois, quando tentavam atravessar a fronteira, pelos guardas de fronteira sauditas, de acordo com a HRW.

Centenas acabaram por ser autorizados a entrar no reino, mas foram colocadas em centros de detenção.

Segundo a OIM, a Arábia Saudita tem vindo a deportar cerca de 10.000 etíopes por mês desde 2017, mas o ritmo abrandou este ano, quando Adis Abeba (capital da Etiópia) pediu uma moratória, receando que os migrantes trouxessem de volta o vírus.

"Centenas, se não milhares de migrantes etíopes estão agora a definhar em centros de detenção na Arábia Saudita", disse a investigadora da HRW Nadia Hardman, lamentando a detenção "arbitrária".

Na semana passada, a Etiópia reconheceu que "não estava a fazer o suficiente" pelos migrantes, enquanto elogiava o "apoio excecional" de Riade aos seus cidadãos.

Adis Abeba parece querer agradar ao seu vizinho rico, um investidor chave e fonte de remessas estrangeiras para a Etiópia.

"Deixámos o nosso país para mudar as nossas vidas", disse um imigrante de 23 anos, que sobreviveu à carnificina na fronteira entre a Arábia Saudita e o Iémen, em abril.

"Pedimos aos guardas sauditas que nos enviassem de volta ao nosso país, mas eles disseram-nos que o nosso governo não nos queria".

A mulher daquele migrante etíope, de 21 anos, está presa num centro de detenção em Jeddah com o seu bebé de 1 ano.

Contactada pela AFP, ela disse que as mulheres grávidas tinham dado à luz em condições insalubres e que temia não poder contactar o marido se o seu telefone fosse confiscado.

De acordo com Birhane, os sauditas "confiscam telefones (...) para silenciar os migrantes".

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