Empresas bielorrussas têm de respeitar os direitos humanos, diz Aministia
A Amnistia Internacional pediu hoje às empresas na Bielorrússia, nomeadamente as de telecomunicações, que respeitem os direitos humanos, numa altura em que o país está em crise e precisa de ter liberdade de expressão e reunião.
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Mundo Bielorrússia/Eleições
"A crise dos direitos humanos, que está a causar na Bielorrússia uma atroz repressão aos protestos pacíficos, torna necessário que as empresas, tanto estrangeiras como nacionais, exerçam uma diligência especial nas suas atividades no país e cumpram a sua obrigação de respeitar os direitos humanos", defendeu hoje a organização humanitária, em comunicado.
Segundo a Amnistia, durante os primeiros três dias de protestos na Bielorrússia houve "um bloqueio quase total" dos serviços de Internet móvel, "devido, de acordo a maioria dos setores, à interferência do Governo no trabalho dos provedores de serviços de telecomunicações".
O bloqueio "afetou negativamente o direito e a liberdade de expressão e reunião pacíficas e a capacidade de procurar, receber e transmitir informações livremente", refere a organização.
A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu o Presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.
A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.
Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase 7.000 pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos quatro mortos.
"Os terríveis acontecimentos na Bielorrússia são uma recordação gritante de as empresas têm responsabilidade direta no cumprimento dos direitos humanos", afirmou o atual diretor da Amnistia Internacional para a Europa de leste e a Ásia central, Denis Krivosheev.
"O povo bielorrusso está a sofrer violações terríveis dos direitos humanos, a uma escala sem precedentes desde a independência do país. Milhares de pessoas foram detidas arbitrariamente, a tortura ou outros maus-tratos foram generalizados e pelo menos quatro manifestantes morreram", recordou o diretor.
"Está muita coisa em jogo", considerou Denis Krivosheev, sublinhando que "as empresas têm de estar conscientes das suas obrigações para com os direitos humanos" e "têm de tomar medidas proativas para garantir que não causam ou contribuem para causar abusos".
Na quarta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que a UE está solidária com o povo da Bielorrússia e vai apoiá-lo, e que sancionará os responsáveis pela fraude nas eleições presidenciais e pela violência, pois "não aceita impunidade".
Um dos maiores protestos da oposição na história da Bielorrússia realizou-se no domingo, com várias dezenas de milhares de pessoas reunidas em Minsk para exigir a saída do chefe de Estado, mas o Presidente já rejeitou a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais.
A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, que está refugiada na Lituânia, disse na segunda-feira que estava pronta para liderar o país, referindo que não "queria ser política", mas que "o destino decretou que estaria na linha da frente diante da arbitrariedade e da injustiça".
Svetlana Tikhanovskaya referiu-se à votação como uma fraude, depois de a Comissão Eleitoral lhe ter atribuído 10% dos votos.

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