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Jornalista argelino Drareni condenado a três anos de prisão efetiva

O jornalista argelino Khaled Drareni, em prisão preventiva desde março, foi hoje condenado a três anos de prisão efetiva, anunciou um dos advogados de defesa à agência AFP.

Jornalista argelino Drareni condenado a três anos de prisão efetiva
Notícias ao Minuto

11:36 - 10/08/20 por Lusa

Mundo Argélia

"É um veredicto muito pesado para Khaled Drareni. Três anos de pena efetiva. Estamos surpreendidos", disse Nouredine Benissad, um dos advogados do coletivo de defesa do jornalista e também presidente da liga argelina dos direitos humanos (LADH).

Os seus dois co-acusados, Samir Benlarbi e Slimane Hamitouche, ambos figuras do movimento de contestação ao regime conhecido como 'Hirak', foram condenados a dois anos de prisão cada, quatro meses dos quais em prisão efetiva.

No início do mês, o Ministério Público argelino tinha pedido quatro anos de prisão efetiva para Khaled Drareni, um símbolo do combate pela liberdade de expressão na Argélia, e para os dois co-acusados, pedido que a organização Repórteres sem Fronteiras considerou "preocupante e chocante".

Drareni, 40 anos, dirige o site informativo digital Casbah Tribune e trabalha como correspondente na Argélia da cadeia televisiva francesa TV5Monde e dos RSF, uma organização não governamental (ONG).

O jornalista foi acusado por "incitamento a uma concentração não armada e atentado à integridade do território nacional", após ter efetuado a cobertura jornalística no início de março em Argel de uma manifestação do 'Hirak', o movimento de constatação popular ao regime que durante mais de um ano desafiou o poder, até à sua recente suspensão devido à pandemia de covid-19.

O jornalista foi julgado por videoconferência desde o centro penitenciário de Kolea, perto de Argel, onde permanece em prisão preventiva desde 29 de março.

No decurso da audiência, rejeitou as acusações, assegurando que fez o seu trabalho "na qualidade de jornalista independente", de acordo com a AFP.

Drareni está a ser julgado em companhia de duas figuras do 'Hirak', Samir Benlarbi e Slimane Hamitouche, igualmente detidos em 07 de março em Argel, e que estavam presentes na sala do tribunal.

Apesar de terem sido indicados pelos mesmos motivos, estes dois ativistas beneficiaram em 02 de julho de uma medida de liberdade provisória, enquanto Drareni foi mantido na prisão.

As detenções de jornalistas multiplicaram-se nos últimos meses na Argélia, as mais recentes dirigidas a um correspondente e um operador de câmara da cadeia televisiva France 24, libertados na quarta-feira após serem detidos na terça-feira.

Outros jornalistas estão na prisão e com os processos em curso.

A Argélia figura no 146.º lugar na classificação mundial de liberdade de imprensa 2020 estabelecida pelos RSF, e que engloba 180 países.

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