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Paquistão despede 28 pilotos da companhia nacional com 'brevet' falso

A companhia nacional de aviação do Paquistão despediu 28 pilotos que falsificaram o documento de permissão para pilotar aviões, anunciou hoje um porta voz da empresa depois da investigação sobre a queda de um avião comercial em Carachi.

Paquistão despede 28 pilotos da companhia nacional com 'brevet' falso
Notícias ao Minuto

13:32 - 08/07/20 por Lusa

Mundo PIA

O inquérito sobre o desastre de 22 de maio, que provocou a morte a 97 pessoas, conduziu à descoberta de que 260 dos 860 pilotos do Paquistão fizeram "exames falsos" mas mesmo assim obtiveram a licença da Autoridade de Aviação Civil do país.

O Governo já tinha afastado cinco membros do organismo que regula a atividade aérea e admite avançar com processos judiciais.

De acordo com notícias publicadas hoje, 262 pilotos do Paquistão continuam impedidos de voar por documentação falsa. 

O escândalo está a provocar polémica no Paquistão, incluindo os protestos dos familiares das vítimas do voo PK8303, que se despenhou em Carachi logo após a descolagem.

Três passageiros sobreviveram e uma pessoa que se encontrava no solo conseguiu sobreviver, apesar dos ferimentos graves.

As revelações sobre os 'brevet' (documento que dá ao seu titular a permissão para pilotar aviões) falsos estão a atingir o Governo e os altos funcionários da Pakistan International Airlines (PIA).

As autoridades europeias e do Reino Unido proibiram de imediato a PIA de voar na Europa durante seis meses logo que se soube que um terço dos pilotos do Paquistão tinham autorização de voo sem terem sido submetidos aos exames requeridos internacionalmente. 

"Fomos seriamente atingidos", disse o porta-voz da PIA, Abdullah Hafeez

Em declarações à Associated Press, o responsável disse que 17 dos 28 pilotos que foram agora despedidos já estavam impedidos de voar desde o passado mês de janeiro, depois de um outro incidente com um avião da companhia no norte do Paquistão. 

Um inquérito interno a este incidente ocorrido no início do ano, que não fez feridos, investigou as licenças dos pilotos e que tinham sido atribuídas pela Autoridade da Aviação Civil do país. 

Mesmo assim, Hafeez disse que os 17 pilotos referidos pagaram uma multa depois de um tribunal ter determinado que não podiam ser despedidos antes de concluída a investigação sobre as qualificações e exames.  

Membros da oposição criticaram veementemente o primeiro-ministro, Imran Khan, e o governo por ter divulgado os resultados preliminares da investigação.

O governo respondeu que o primeiro-ministro está a tentar "limpar" a corrupção que "foi deixada" no poder pelos anteriores executivos do Paquistão.

A companhia de aviação nacional, que chegou a ser considerada uma das melhores do mundo, tem vindo a deteriorar-se nas últimas décadas.

Os sucessivos governos têm concedido empregos a apoiantes políticos que acabam por ocupar cargos de destaque na companhia em troca de favores. 

Como resultado, a PIA é uma das companhias com mais trabalhadores do setor, a nível mundial, com 450 funcionários para cada um dos 31 aparelhos que detém.

A maior parte das companhias de aviação emprega 200 pessoas por avião.

Quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) concedeu um empréstimo de seis mil milhões de dólares ao Paquistão exigiu uma auditoria à PIA até ao final de 2019 mas o processo não foi concluído.

O porta-voz disse ainda que para tentar estancar "a hemorragia financeira" da empresa estatal de aviação, o Governo elaborou um plano de negócios que indica a redução de sete mil trabalhadores e o aumento do número de aparelhos até 45 aviões comerciais.

Pelo menos 3.500 empregados vão ser colocados em lay off, disse ainda Hafeez

Até ao momento, o Governo ainda não indicou se a equipa de pilotos que se encontrava a bordo do avião que caiu em Carachi em maio tinha falsos 'brevet'.

Os investigadores mantêm que se tratou de um "erro humano".

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