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Khashoggi. ONU considera julgamento turco "mais legítimo" que o saudita

A relatora especial da ONU para as execuções extrajudiciais, Agnes Callamard, disse hoje que o julgamento na Turquia pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, em Istambul, é "mais legítimo" do que o processo judicial na Arábia Saudita.

Khashoggi. ONU considera julgamento turco "mais legítimo" que o saudita

"Estamos, finalmente, a mudar-nos para um espaço mais formal, um espaço de justiça. O julgamento na Arábia Saudita foi tudo menos justo", disse hoje Callamard, aos jornalistas, quando assistiu à primeira audiência deste julgamento em Istambul.

O tribunal de Istambul anunciou que a segunda sessão será em 24 de novembro, com a presença de novas testemunhas, que se pronunciarão sobre o assassínio do jornalista norte-americano, de origem saudita, Jamal Khashoggi, que entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, em 02 de outubro de 2018, mas não voltou a sair.

O Governo da Arábia Saudita começou por negar a morte do jornalista, mas mais tarde admitiu que ele terá morrido durante uma luta, embora os procuradores aleguem que ele foi assassinado brutalmente, tendo sido esquartejado, por ex-colaboradores do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman.

A relatora especial da ONU considera que o tribunal saudita que, no final de 2019, ditou que cinco pessoas fossem condenadas à morte, exonerando de culpas Saud al Qhatani, um dos principais colaboradores de Bin Salman, não cumpriu as regras de transparência e isenção.

Um tribunal penal de Istambul iniciou hoje um novo julgamento, com 20 acusados 'in absentia', incluindo dois ex-conselheiros do príncipe Mohamed bin Salman, para quem o Ministério Público pede sentenças de prisão perpétua por "instigarem o planeamento de um assassínio premeditado com tortura brutal".

Callamard diz que este julgamento, apesar dos "muitos constrangimentos", deixa uma "mensagem clara e importante aos ditadores de todo o mundo".

"Trata-se de um crime de Estado. Podemos concentrar-nos em suspeitos específicos. Mas é um crime do Estado", disse a representante da ONU.

Durante a primeira audiência, foram revelados alguns pormenores do caso, que não foram até agora noticiados, como o processo de limpeza do consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde Khashoggi desapareceu e onde se supõe que o crime terá sido cometido, embora ainda não existam vestígios dos restos mortais.

"Há pormenores que não tínhamos ouvido antes e que podem ser importantes. Apareceram informações novas e penso que ainda teremos mais", disse Agnes Callamard.

Durante a sessão do julgamento, Hatice Cengiz, a noiva do jornalista Khashoggi, também testemunhou.

"Expliquei em detalhes tudo o que vi na noite em que Khashoggi desapareceu no consulado. Tudo. Até detalhes sobre os pássaros que voavam pela área, os motoristas, o homem que vendia chá, tudo", disse Cengiz aos jornalistas.

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