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Ministro da Educação brasileiro sai do Governo e vai para Banco Mundial

O ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub, anunciou hoje a sua saída do Governo, após várias polémicas, acrescentando que recebeu um convite para integrar a direção do Banco Mundial no país.

Ministro da Educação brasileiro sai do Governo e vai para Banco Mundial
Notícias ao Minuto

20:35 - 18/06/20 por Lusa

Mundo Brasil

A informação foi transmitida pelo próprio Weintraub, num vídeo partilhado na rede social Twitter, onde ao lado do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou que não irá discutir os motivos da sua saída do cargo ministerial.

"Sim, dessa vez é verdade. Eu estou saindo do Ministério da Educação. Vou começar a transição agora. Nos próximos dias passo o bastão ao ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento, eu não quero discutir os motivos da minha saída. Não cabe. O importante é dizer que eu recebi o convite para ser o diretor de um banco. Eu já fui diretor do banco no passado. Volto ao mesmo cargo, porém no Banco Mundial", disse Weintraub.

O agora ex-ministro afirmou que foi uma "honra" integrar o Governo de Bolsonaro e que irá "continuar lutando pela liberdade".

"Agradeço a honra que foi participar do seu Governo, e desejo toda a sorte e sucesso nesse desafio gigante que é salvar o Brasil. Vou continuar a lutar pela liberdade, só que vou continuar de outra forma", disse ainda Weintraub.

Já o chefe de Estado brasileiro afirmou no vídeo que se trata de um "momento difícil", frisando também que jamais deixará de "lutar por liberdade".

"É um momento difícil. Todos os meus compromissos de campanha continuam de pé, e procuro implementá-los da melhor maneira possível. A confiança você não compra, você adquire. Todos os que nos estão a ouvir agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está a passar. E o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar pela liberdade. Eu faço o que povo quiser", disse Bolsonaro, após Weintraub anunciar a saída do executivo.

Weintraub deve agora assumir uma cargo na representação brasileira na direção do Banco Mundial, com sede em Washington, nos Estados Unidos da América.

A permanência de Weintraub no Governo estava a ser debatida nos últimos dias, após o ministro ter participado, no domingo, numa manifestação pró-Bolsonaro, movimento que não agradou ao Presidente do país.

Jair Bolsonaro avaliou, na segunda-feira, que Weintraub "não foi muito prudente" ao participar no protesto, e que criou mais um problema para o Governo federal resolver.

Contudo, as polémicas a envolver o ex-ministro da Educação começaram logo após Weintraub ter assumido a pasta, há 14 meses, em substituição de Ricardo Vélez Rodríguez.

Weintraub acumulou desavenças com reitores de universidades, estudantes e parlamentares, após ter decretado duros cortes na Educação, assim como causou problemas diplomáticos com a China e Israel. Mais recentemente, entrou em conflito com juízes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Numa reunião ministerial ocorrida em 22 de abril, o ex-titular da pasta da Educação afirmou que, por sua vontade, colocaria "esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF".

Essas declarações valeram-lhe duras críticas, assim como a sua inclusão num inquérito que decorre no Supremo sobre a difusão de notícias falsas.

Ainda no âmbito judicial, Weintraub prestou depoimentos à Polícia Federal no início do mês, após ter sido intimado num inquérito sobre alegado racismo contra chineses.

A abertura do inquérito, a pedido do juiz Celso de Mello, do STF, foi justificada por uma mensagem partilhada por Weintraub em abril, no Twitter, em que usou a personagem Cebolinha da banda desenhada "Turma da Mónica" para sugerir que a pandemia do novo coronavírus faz parte de um "plano infalível" da China para dominar o mundo.

Apesar de ser uma figura conhecida e admirada pela militância mais fiel de Jair BolsonaroWeintraub acabou por ceder, tornando-se no quarto ministro a sair do Governo nos últimos dois meses, depois de Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos da pasta da Saúde, e de Sergio Moro, que pediu demissão do Ministério da Justiça.

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