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Venezuela: Protestos em oito dos 24 estados do país por falta de gasolina

Os venezuelanos protestaram hoje em oito dos 24 estados do país, devido à falta de combustível, uma semana depois de chegar gasolina importada do Irão, que desde segunda-feira passou a ser cobrada a preços internacionais.

Venezuela: Protestos em oito dos 24 estados do país por falta de gasolina

Os protestos registaram-se em estações de Anzoátegui, Barinas, Lara, Falcón, Nova Esparta, Miranda, Portuguesa e também em Caracas (Distrito Capital).

Houve ainda queixas de que alguns locais recusavam vender gasolina a particulares.

"As pessoas estão muito contrariadas, porque os barcos iranianos chegaram há uma semana e nem todas as bombas têm combustível", explicou uma lusovenezuelana à agência Lusa.

Depois de estar em várias filas desde há semanas, sem sucesso, Maria Bernardete Gonçalves passou hoje cinco horas numa fila, no final das quais lhe comunicaram que não a atenderiam porque "só havia gasolina para carros oficiais, taxistas e autocarros".

"Tenho duas crianças, preciso de estar preparada para situações eventuais. É absurdo o que acontece. De um país exportador, hoje temos de importar gasolina. Parece que estão a brincar connosco, porque chegou combustível, aumentou o preço e aqui em Montalbán (oeste de Caracas) querem limitar a venda", disse.

No mesmo local estava o deputado opositor Luís Dávila, que denunciou aos jornalistas que a ordem era que apenas alguns carros fossem abastecidos.

"Não nos opomos a que esses carros sejam abastecidos, mas a gasolina tem de chegar à comunidade", defendeu o deputado.

Em Montalbán, uma das filas prolongava-se por vários quilómetros da autoestrada, no mesmo dia em que, ainda em Caracas, as filas foram das maiores registadas até hoje.

"Finalmente, depois de várias semanas, hoje consegui encher o depósito. Foi complicado, mas não tinha conseguido nada. Cheguei pelas 04:00 (09:00 em Lisboa) e pelas 14:30 (19:30 em Lisboa) atenderam-me", adiantou o lusodescendente José Daniel Freitas.

Segundo este lusodescendente, em Guárico (210 quilómetros a sul de Caracas), o tio, Eduardo Freitas, após seis horas numa fila conseguiu também encher o depósito da viatura.

Ainda na capital, no populoso bairro de Cátia (oeste de Caracas), dezenas de motoristas concentraram-se na estação de serviço de Los Magallanes em protesto pela falta de combustível.

"Não mais mentiras, queremos gasolina", gritavam.

Em Pedraza, na ilha de Margarita, estado de Nova Esparta, a população bloqueou a estrada Juan Bautista Arismendi em protesto porque algumas estações não abriram e outras fecharam porque a gasolina acabou rapidamente.

Segundo as redes sociais e a imprensa local, ocorreram ainda protestos em Anzoátegui, Barinas, Lara, Falcón, Miranda (Los Teques e Santo António) e em Portuguesa.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou, no sábado, que desde 01 de junho o preço do combustível seria afixado pela primeira vez em dólares norte-americanos, com subsídios para alguns setores através do Cartão da Pátria, uma situação que a oposição diz ser discriminatória.

"Chegou a hora de avançar com uma nova política, uma nova realidade", disse Nicolás Maduro à televisão estatal.

A gasolina aumentou de 0,0002 para 0,50 dólares (0,45 euros) por litro e para os 5.000 bolívares soberanos (0,022 euros) por litro para os setores subsidiados.

O aumento da gasolina ocorre depois de várias semanas de escassez de combustível, devido à impossibilidade de as refinarias do país continuarem a produzir.

Na semana passada, chegaram à Venezuela cinco navios com combustível proveniente do Irão, uma operação que foi questionada pelos Estados Unidos por alegadamente violar a segurança regional.

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