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Floyd. Manifestantes pedem detenção dos outros três polícias envolvidos

Milhares de manifestantes em Houston, nos EUA, cidade do afro-americano George Floyd, que morreu numa intervenção policial, pediram hoje prisão para os outros três polícias que estiveram no local e não impediram a ação do colega Derek Chauvin.

Floyd. Manifestantes pedem detenção dos outros três polícias envolvidos
Notícias ao Minuto

06:50 - 03/06/20 por Lusa

Mundo George Floyd

"Prendam os polícias! Prendam os polícias" foi o apelo da ativista Tamika Mallory, ecoada por milhares de manifestantes, hoje em Houston, Texas, cidade onde foi criado George Floyd, que morreu em 25 de maio, aos 46 anos, em Minneapolis (Minnesota).

Os quatro polícias envolvidos no incidente foram despedidos, mas só o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de homicídio em terceiro grau e de homicídio involuntário.

"George Floyd foi um mártir", sustentou a ativista, defendendo que foi a sua morte que "mudou o coração de homens, mulheres e crianças de todo o mundo".

Tamika Mallory considerou que o sistema de educação nos EUA "falhou à população", que o "capitalismo estrangulou", que "todo o sistema é culpado" e que "o facto de Donald Trump se ter tornado Presidente só prova que o sistema está todo" danificado.

A solução, segundo a ativista, é que as comunidades negras se organizem e que vão votar nas eleições presidenciais de novembro.

O congressista Al Green fez os mesmos dois apelos: detenção dos três agentes e participação das comunidades negras nas eleições.

"Estou raivoso porque quatro homens estão envolvidos em tirar a vida ao nosso irmão e só um foi detido. Estou raivoso porque o que queremos não é só a detenção. Queremos condenação [judicial]", disse Al Green.

O congressista democrata afirmou que a detenção e condenação não serão suficientes. "Nós queremos tempo [na prisão]. Eles têm de servir algum tempo", exclamou.

Al Green incentivou que todos se registem para votar e votem, para retirar pessoas das suas funções. "A primeira pessoa que deve ser demitida", defendeu, é o Presidente dos EUA, o republicano Donald Trump.

O congressista referiu sido "a pessoa que fundou a base para o 'impeachment' [destituição]" de Trump que acabou chumbado.

Já o reverendo Bill Lawson, de 92 anos, declarou que, tendo assistido a movimentos de direito civil no país, como o de Martin Luther King (1929-1968), ou Rosa Parks (1913-2005), vê que os manifestantes "estão determinados não só a processar três polícias, mas a mudar a vida dos Estados Unidos".

Bill Lawson defendeu que Trump tem de ser retirado do lugar, num discurso que terminou com o apelo repetido várias vezes: "Votem".

Durante o protesto, os eleitos políticos da cidade, congressistas e representantes do governo de Houston receberam apelos para criar legislação contra o racismo, para a reforma de políticas e ainda a criação de conselhos de revisão da comunidade, com poderes de levar a julgamento os membros das autoridades.

Bernard Freeman, 'rapper' conhecido pelo nome artístico Bun B, defendeu a criação de conselhos de revisão, "para garantir que quando a polícia não se consegue policiar, conselhos independentes possam intervir e responsabilizar, com detenções e acusações judiciais".

"Agradecemos que a polícia de Houston esteja aqui connosco hoje, mas não se enganem, vamos pedir contas se cometerem ações contra as pessoas nesta cidade", declarou Bernard Freeman, arrancando grandes aplausos da multidão.

O 'mayor' de Houston, Sylvester Turner, democrata, sublinhou que a marcha e os protestos "não foram em vão" e que "as vozes foram ouvidas", sustentando que existem muitas mudanças a fazer.

Sylvester Turner declarou que "o silêncio dos [outros] três polícias foi cúmplice e errado".

No protesto de Houston estiveram presentes 16 membros da família de George Floyd, que pediram mudanças urgentes, o fim da violência para que "descanse em paz" e agradeceram o apoio dos manifestantes por todo o país e pelo mundo.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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