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Guiné Equatorial pede substituição de representante da OMS no país

A Guiné Equatorial pediu a substituição da representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) no país, numa altura em se surgem denúncias de ocultação dos dados da covid-19 e de "gestão caótica" da resposta à pandemia.

Guiné Equatorial pede substituição de representante da OMS no país
Notícias ao Minuto

17:19 - 02/06/20 por Lusa

Mundo Covid-19

Em carta datada de 26 de maio, a que a agência Lusa teve acesso, o ministério das Relações Exteriores e Cooperação da Guiné Equatorial transmite ao escritório regional para África da OMS, com sede em Brazzaville, "a urgente necessidade de pôr termo às funções" de Triphonie Nkurunziza como representante residente da organização no país.

O ministério pede ainda à organização para "proceder à sua retirada imediata de Malabo" e recomenda que seja nomeada outra pessoa para o lugar.

Na carta, Malabo não indica qualquer razão para o pedido, mas, na sexta-feira, perante o senado, o primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Pascual Obama Asué, acusou a representante da OMS de "ter falsificado os dados de pessoas contaminadas" com o novo coronavírus.

"Não temos um problema com a OMS, temos um problema com a representante da OMS em Malabo", acrescentou durante a sessão transmitida pela televisão pública.

A agência Lusa contactou a representante da OMS em Malabo, bem como o escritório da OMS África, mas até ao momento não obteve resposta ao pedido de esclarecimento.

Um responsável do sistema das Nações Unidas em Malabo, citado pela agência France-Presse sob anonimato, confirmou, entretanto, que o Governo pediu formalmente a saída de Triphonie Nkurunziza, mas escusou-se a comentar a acusação de que esta é alvo.

Segundo a mesma fonte, a responsável ainda não deixou Malabo por não existirem voos que lhe permitam sair do país.

Na Guiné Equatorial, a saída de Triphonie Nkurunziza está a ser diretamente ligada à considerada "gestão caótica e desastrosa" da resposta governamental à pandemia de covid-19.

"A OMS era uma testemunha incómoda da falsificação dos dados dos contágios e das mortes por covid-19", disse à agência Lusa o médico equato-guineense Wenceslao Mansogo, adiantando que os números apresentam "incongruências desde o início".

Em causa estará, segundo fontes locais, o facto de a responsável da OMS continuar a atualizar os dados relativos à pandemia na Guiné Equatorial depois de o Governo ter alegadamente optado por deixar de tornar esses dados públicos diariamente.

Durante o fim de semana, em declarações à televisão equato-guineense, o médico Justino Mba Nve, nomeado coordenador da Luta contra o Coronavírus na ilha de Bioko, onde se concentra a maioria dos casos, sublinhou que o executivo "é soberano e que a OMS não tem o direito de publicar dados não consensuais com o Governo".

A mais recente contagem oficial foi divulgada em 29 de maio, num comunicado emitido pelo gabinete de Informação e Imprensa da Guiné Equatorial após uma reunião do Comité Técnico de Vigilância e Luta contra o Coronavírus, liderado pelo vice-presidente do país Teodoro Nguema Obiang Mangue, filho do chefe de Estado, Teodoro Obiang.

Segundo os dados oficiais, das 11 mil amostras processadas, registaram-se 1.306 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus, 12 mortos e mais 275 doentes recuperados, sendo que 60% dos casos se encontram na região insular, onde está a capital Malabo, e 40% na região continental.

Antes desta, a última atualização dos dados da doença pelo Governo tinha sido feita em 13 de maio, no final de outra reunião do mesmo comité, dando-se conta na altura de 512 casos confirmados, incluindo 18 profissionais de saúde, e seis mortos.

Entre as duas datas, a OMS foi sempre atualizando os dados até 24 de maio, quando contabilizava 1.043 casos e 12 mortes.

"Desde então, a OMS instalou-se num mutismo inexplicável e o Governo publicou dados sobre contágio e mortes em total contradição com o que se observa no país", disse Wenceslao Masogo, que gere uma clínica em Bata.

"Acreditamos que há importantes desentendimentos entre a OMS e o Governo sobre a realidade dos números", acrescentou também este crítico do regime de Teodoro Obiang.

No mesmo sentido, o partido Convergência para a Democracia Social na Guiné Equatorial, na oposição, questiona os motivos que levaram à paragem na atualização dos dados por parte da OMS.

"A OMS continua silenciosa, parada nos 1.043 casos confirmados do dia 24 de maio. Se a OMS não volta a publicar os dados, a partir de agora será impossível conhecer a realidade dos contágios e das mortes por covid-19 na Guiné equatorial", adiantou o partido, num comunicado emitido na sexta-feira, antes de serem conhecidos os dados mais recentes pelo Governo.

Durante a reunião de sexta-feira, os especialistas do comité admitiram que, de 10 a 24 de maio, "a curva de contágios se desviou do curso normal".

Na sequência da reunião, o vice-presidente da Guiné Equatorial prolongou o período de confinamento obrigatório até 15 de junho, adiantando que perante "os números alarmantes", os especialistas consideram que seria prematuro o levantamento das medidas de adotadas para a prevenção da doença.

O relaxamento das medidas deverá começar em meados do mês com a retoma da atividade escolar a partir de 15 de junho e dos voos internacionais.

Entretanto, foi anunciado que brevemente alguns centros desportivos serão transformados em zonas de isolamento para os casos positivos e que dois milhões de máscaras serão distribuídas à população, entre outras medidas de saúde.

"O sucesso desta batalha não depende apenas do Ministério da Saúde, o maior trabalho está na própria população, por isso temos de ser responsáveis, respeitar e cumprir as medidas de saúde para prevenir e combater a covid-19", disse o vice-presidente.

Com 1,3 milhões de habitantes, a Guiné Equatorial registou o seu primeiro caso confirmado de covid-19 em 14 de março, havendo atualmente registos de transmissão comunitária tanto na região insular como na continental.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 375 mil mortos e infetou mais de 6,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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