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Covid-19: Paraguai e Uruguai destacam-se pela positiva na América do Sul

Paraguai e Uruguai destacam-se pelo sucesso das suas estratégias, diferentes entre si, na obtenção dos melhores resultados perante a pandemia, com um número mínimo de vítimas numa região que se tornou o novo epicentro do novo coronavírus no mundo.

Covid-19: Paraguai e Uruguai destacam-se pela positiva na América do Sul
Notícias ao Minuto

08:49 - 31/05/20 por Lusa

Mundo Pandemia

Mesmo na região com maior desigualdade social do planeta, um combustível para a propagação do novo coronavírus, Paraguai e Uruguai surpreendem pela eficácia das suas políticas e flexibilizam as restrições enquanto os demais vizinhos, mais poderosos, mantém a rigidez do confinamento.

"Em comum, Paraguai e Uruguai têm pouca população e os dois países, cada um na sua forma, têm sistemas políticos e distribuição territorial que permitem um controlo de toda essa população", explica à Lusa o analista internacional argentino, Jorge Castro.

O segredo do Paraguai foi agir imediatamente, sendo o primeiro país na região em aplicar uma rígida quarentena total, com recolher obrigatório, logo no dia 11 de março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia.

"O Paraguai é uma 'ilha', cercada de terra por todos os lados. E fica separado dos seus grandes vizinhos, Brasil e Argentina, com escassa população de fronteira. Ao fechar as suas fronteiras e até expulsar os turistas estrangeiros, protegeu-se da possibilidade de contágio, sobretudo, do Brasil", indica Jorge Castro.

Com as fronteiras protegidas, a medida seguinte foi estabelecer uma cerca sanitária à capital, Assunção: ninguém entrava nem saía.

As medidas drásticas partiam de um diagnóstico realista: a precariedade social do país em matéria de habitação e de saneamento básico, além da fragilidade de um sistema de saúde que contava com apenas 800 camas de Cuidados Intensivos para 7,2 milhões habitantes.

Posteriormente, foram adicionadas mais 200 camas, ainda assim insuficientes para atender as previsões de 15 mil mortos em maio.

Mas, se socialmente o Paraguai estava à mercê do vírus, a falta de ligações aéreas ajudou à contenção dos contágios.

"Graças à sua condição mediterrânea e à menor conexão aérea com o mundo, o Paraguai ficou isolado", indica à Lusa o analista internacional, Simón Pachano, que se surpreende com os números do Paraguai: 917 casos, 11 mortes e uma taxa de letalidade de 1,2%.

No início de maio, o governo começou a aplicar a chamada "quarentena inteligente", que implica uma gradual flexibilização das restrições.

Esta semana, o Paraguai abriu 83% do seu comércio e passou a permitir atividades físicas.

Em junho voltarão os jogos de futebol sem público e a reabertura dos espaços religiosos. O regresso às aulas, no entanto, ainda não tem data.

Se o Paraguai se caracterizou pela rigidez, o Uruguai fez o contrário: optou pela consciência individual.

No dia 13 de março, registou os quatro primeiros casos, perdendo o título de único país sul-americano sem o vírus. No dia 24 de março, começou uma estratégia única na região: a chamada "quarentena voluntária".

"O Uruguai é um país com o mais elevado grau de consenso político e de fortaleza institucional da região. Portanto, as políticas geralmente são obedecidas sem a necessidade de medidas coercivas. Do ponto de vista internacional, a estratégia consistiu em proteger-se dos grandes vizinhos, especialmente do Brasil", observa o analista Jorge Castro.

Enquanto os vizinhos impunham, o governo uruguaio sugeria medidas de isolamento social e só proibia as atividades que representassem aglomerações como espetáculos. Até os velórios puderam continuar, desde que com algumas restrições.

Essa abordagem veio acompanhada de outra grande diferença com todos os demais países da região: o comportamento social. Foram os comerciantes que decidiram fechar as lojas que já estavam vazias. A população tinha acatado a recomendação.

"O Uruguai é um país de uma trajetória muito republicana, de valorização cidadã, com um grau de princípios básicos de convivência. O governo deixou nas mãos da população a responsabilidade. Do outro lado, o Paraguai é um país que quase não teve democracia na sua história de regimes ditatoriais. Cada um refletiu as suas condutas históricas", compara Simón Pachano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO).

O sucesso uruguaio também se baseia nos melhores índices sociais da região: praticamente, a totalidade dos uruguaios tem acesso ao saneamento básico e à rede hospitalar.

O sistema de saúde é sólido, universal e conta com uma rede de atendimento domiciliar que evitou a necessidade de as pessoas irem aos hospitais e correrem risco de contágio. O país também somou uma quantidade expressiva de testes diários. Os números refletem o sucesso: 816 casos, 22 mortes e uma taxa de letalidade de 2,7%.

A densidade demográfica também contribuiu. Metade dos 3,4 milhões de habitantes concentra-se na capital, Montevideu.

No início de maio, o país reabriu as escolas no interior e, a partir da próxima semana reabrirá todas as escolas, numa combinação de aulas presenciais e virtuais, também de forma voluntária.

Com o dobro da população do Uruguai, mas com metade das mortes, o confinamento paraguaio teve mais sucesso. A taxa de letalidade do país é a metade da uruguaia.

A letalidade maior do Uruguai pode explicar-se pelo perfil da população: a maior população de idosos da região, um segmento de alto risco. Quase 20% da população tem mais de 60 anos e destes 10% tem mais de 85 anos.

No entanto, numa eventual segunda onda de contágio, as possibilidades do Uruguai contornar a situação serão maiores graças à sua infraestrutura.

"O Paraguai vai precisar de medidas duras novamente", acredita Simón Pachano, da FLACSO.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 364 mil mortos e infetou mais de 5,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,4 milhões de doentes foram considerados curados.

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