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Viagens. Embaixador recusa prejuízo na relação do Brasil com EUA

O principal diplomata brasileiro nos Estados Unidos da América (EUA) rejeitou que as relações bilaterais sejam prejudicadas pela proibição da entrada de viajantes que passaram pelo Brasil no território norte-americano, em vigor a partir de hoje.

Viagens. Embaixador recusa prejuízo na relação do Brasil com EUA

O encarregado de negócios do Brasil em Washington, embaixador Nestor Forster, disse que a proibição da entrada nos EUA de estrangeiros oriundos do Brasil não é um revés nas relações bilaterais "de forma alguma".

"É uma medida de saúde pública confinada a essa área", acrescentou, citado pela agência de notícias Associated Press.

Foster afirmou que a administração do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, agradece que os EUA tenham avisado antecipadamente que decretariam a medida, bem como as contribuições "para ajudar a lidar com a pandemia de covid-19, incluindo mil ventiladores que serão doados para o Ministério da Saúde brasileiro".

"Estamos muito agradecidos pelo facto de que, você sabe, houve alguma consulta prévia quando o Presidente [dos Estados Unidos, Donald Trump] decidiu avançar com essa medida", referiu Forster.

Antes do Brasil, Trump já havia banido viajantes da China, Europa, Reino Unido e Irlanda e, em menor grau, do Irão.

Bolsonaro, que repetidamente chamou a covid-19 de "gripezinha", apesar da perda de milhares de vidas no Brasil, é um admirador declarado de Trump.

O chefe de Estado brasileiro esteve nos EUA em março, tendo regressado ao seu país com várias pessoas da sua comitiva infetadas pelo novo coronavírus, mas não restringiu viajantes norte-americanos de entrarem no país.

O Brasil, que tem uma população de cerca de 210 milhões de pessoas, é o país latino-americano mais atingido pelo novo coronavírus, com 24.512 mortes e 391.222 infeções provocadas pela doença.

Especialistas dizem que esses números são subestimados devido à quantidade insuficiente de testes realizados no país.

Desde que a pandemia chegou ao Brasil, no final de fevereiro, Bolsonaro insiste que as pessoas deveriam retomar as suas vidas normais, argumentando que uma catástrofe económica será mais mortal do que os problemas de saúde causados pelo vírus.

Nestor Forster, citado pela agência noticiosa, contestou as críticas de especialistas contra o Governo brasileiro, que não teria adotado as medidas necessárias para impedir a disseminação da covid-19.

"O Governo brasileiro, liderado pelo Presidente Bolsonaro, tem sido muito sério no combate a esta doença em todas as frentes desde o início", declarou Foster.

O diretor executivo da Organização Mundial da Saúde, Mike Ryan, disse esta semana que as taxas de transmissão "intensas" do Brasil exigem que as recomendações para que a população permaneça em casa continuem em vigor, independentemente dos danos económicos que a quarentena poderá provocar.

Questionado sobre o assunto, Forster respondeu que as ações pretendidas por Bolsonaro são um pouco diferentes.

"Não temos uma maneira única de combater a pandemia. O Brasil é maior que os 48 estados americanos contíguos. É um país grande com enormes disparidades regionais", salientou.

"Você não pode ter uma receita específica e dizer, sabe, vamos bloquear o país e esquecer as consequências", frisou.

O embaixador admitiu confiar que a proibição da entrada de viajantes do Brasil nos EUA será temporária, mesmo que o número de mortos no país continue a subir.

"Isso será eliminado. Será suprimido assim que os números permitirem. E esperamos que isso seja breve", concluiu.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 350 mil mortos e infetou mais de 5,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Cerca de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

CYR // LFS

Lusa/Fim

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