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Timor-Leste: Decisão do CNRT implica saída de veterano da governação

Agio Pereira, o mais veterano dos ministros timorenses -- acumula 13 anos consecutivos em cinco governos -- é um dos nomes de saída do executivo, com base na decisão anunciada hoje pelo partido em que milita, o CNRT.

Timor-Leste: Decisão do CNRT implica saída de veterano da governação

Porém, mesmo antes do anúncio feito hoje pelo presidente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Xanana Gusmão, de que todos os membros indigitados pelo partido saem na segunda-feira, Agio Pereira já tinha sido afastado do executivo pelas mexidas na orgânica aprovadas em Conselho de Ministros.

Formalmente, o seu cargo de ministro de Estado na Presidência do Conselho de Ministros foi extinto, no âmbito de uma remodelação aprovada pelo executivo, assinada pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e que aguarda promulgação pelo Presidente da República.

Agio Pereira, que já não participou nas últimas duas reuniões do Governo, escusou-se à Lusa a fazer qualquer comentário sobre a sua situação, remetendo-se ao silêncio.

Mas fontes próximas ao governante, ouvidas pela Lusa, confirmam o "desconforto" com as mexidas no Governo, introduzidas à última hora na reunião da semana passada do Conselho de Ministros e agora novamente mexidas.

Pesa ainda a decisão de Xanana Gusmão -- ao lado de quem Agio Pereira tem estado há décadas -- que a 11 de março comunicou ao primeiro-ministro a saída da sua força política do executivo e que hoje anunciou para segunda-feira a saída dos ministros.

Agio Pereira trabalhou para cinco Governos e quatro primeiros-ministros de três partidos diferentes, conquistando uma confiança alargada e estando envolvido na resolução de várias crises e problemas, com maior ou menor visibilidade, que o país atravessou.

Talvez por isso seja considerado hoje um dos poucos em Timor-Leste que ainda fala regularmente com os principais líderes nacionais -- Xanana Gusmão (CNRT), Mari Alkatiri (Fretilin) e Taur Matan Ruak (PLP).

Ao lado de Xanana Gusmão nas negociações com a Austrália sobre o tratado das fronteiras, Agio Pereira ajudou a desbloquear "vários imbróglios" políticos e jurídicos nas palavras de fonte do Governo, com possíveis impactos "significativos" para o Estado.

No primeiro ano do mandato do atual Governo, chegou a ser apelidado do "ministro um terço" por liderar interinamente várias pastas do executivo deixadas sem ministro quando o Presidente da República se recusou a dar posse a vários membros indigitados.

Entre essas pastas contam-se, além da Presidência do Conselho de Ministros, pastas 'pesadas' como a Coordenação dos Assuntos Económicos, o Planeamento e Investimento Estratégico e o Petróleo e Minerais, estas duas ainda sob a sua tutela.

Pereira, que viveu em Lisboa nos primeiros anos da ocupação indonésia de Timor-Leste, imigrou para a Austrália em 1980 liderando em Darwin o Comité da Fretilin e, depois, estabeleceu em Sydney a East Timor Relief Association (ETRA), uma das organizações mais ativas na mobilização de apoios e solidariedade com a resistência timorense.

Músico -- liderou durante anos o Grupo Musical 28 de novembro -, publicou o 'jornal' Matebian News, reunindo um vasto arquivo documental que desde aí tem vindo a ampliar, com um conteúdo "invejável" de muitos dos momentos cruciais da vida de Timor-Leste desde 1974.

Membro da Comissão Política Nacional do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT) -- estrutura que representou o voto pela independência no referendo de 30 de agosto de 1999 -- liderou depois a Comissão Nacional de Emergência, que coordenou o apoio à população depois da violência indonésia e das milícias pró-Jacarta.

Sempre ao lado de Xanana Gusmão, tornou-se chefe de gabinete e da Casa Civil do líder histórico timorense quando este assumiu a Presidência da República, cargo onde ficou algum tempo depois da tomada de posse do chefe de Estado seguinte, José Ramos-Horta.

Em 2007 estreia-se no Governo, assumindo o cargo de secretário de Estado do Conselho de Ministros o IV Governo, liderado por Xanana Gusmão e cinco anos depois sobre a ministro da Presidência do Conselho de Ministros, já no V Governo constitucional, também chefiado por Xanana Gusmão.

Agio Pereira manteve o cargo no VI Governo, já liderado por Rui Maria de Araújo -- onde passou a ministro de Estado e ministro da Presidência do Conselho de Ministros.

No Governo seguinte, o VII liderado por Mari Alkatiri, Agio Pereira foi ministro adjunto do primeiro-ministro para a Definição das Fronteiras Marítimas, cabendo-lhe a si assinar, em Nova Iorque, com a ministra dos Negócios Estrangeiros, o tratado de fronteiras marítimas que ajudou a negociar com Xanana Gusmão.

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