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Investigadores nos EUA telefonam todos os dias aos infetados e suspeitos

Investigadores de saúde nos Estados Unidos da América tentam criar mapas de prevenção da covid-19 através de telefonemas diários aos infetados para agregar informação sobre os contactos presenciais que tiveram, assumindo um papel de detetive, terapeuta ou confidente.

Investigadores nos EUA telefonam todos os dias aos infetados e suspeitos
Notícias ao Minuto

15:04 - 22/05/20 por Lusa

Mundo Covid-19

Os investigadores, muitos deles enfermeiros, lidam com 30 a 40 casos e tentam chegar às pessoas que estiveram pessoalmente, durante mais de dez minutos, a menos de 1,8 metros de distância da pessoa originalmente infetada.

Muitas vezes, os rastreadores de contactos enfrentam a desconfiança, as meias-verdades, as barreiras linguísticas ou o desconforto das famílias em situações complicadas, escreve a agência noticiosa AP.

A investigadora de saúde Mackenzie Bray sorri enquanto conversa ao telefone com um pensionista de Utah que testou positivo para o coronavírus.

Tenta manter um clima leve, porque precisa de saber onde esteve o infetado e com quem teve contacto nos últimos sete dias.

Com perguntas delicadas, Mackenzie Bray conduz o interrogatório, nomeadamente para saber onde é que o homem e a mulher pararam para comprar flores na visita a um cemitério. Encoraja-o também a consultar o extrato bancário, para ajudar a lembrar-se de alguma ida às compras.

No meio da conversa, a mulher de Mackenzie diz que receberam familiares em casa para o Dia da Mãe.

"Havia algum prato de comida para partilhar ou algo assim?" pergunta Bray.

"Havia, ok... Compartilhar comida ou bebidas, mesmo que só estejam na mesma mesa, [o vírus] pode espalhar-se dessa maneira", explica.

De repente, por causa de uma taça de comida partilhada, a rede expande-se e Bray tem de rastrear outras dezenas de pessoas com um interrogatório idêntico.

No país com maior número de infetados e maior número de mortos por covid-19 do mundo, investigadores de saúde como Mackenzie Bray desempenham o importante papel de contactar e avisar as pessoas que possam ter estado em contacto com o vírus.

A primeira chamada de rastreamento telefónico pode ser chocante para as pessoas contactadas. Por vezes, são os investigadores de saúde que dão a notícia de que alguém foi exposto ou testou positivo para a covid-19.

A prática do chamado 'rastreamento de contacto' exige um trabalho híbrido de interrogador, terapeuta e enfermeiro, enquanto se tenta a honestidade das pessoas mais nervosas.

O objetivo é criar um mapa ou roteiro de todos os lugares onde as pessoas infetadas estiveram e quem estava por perto.

Bray desempenha este tipo de trabalho para contactar pessoas com doenças sexualmente transmissíveis. Atualmente, é uma das 130 pessoas do departamento de saúde do condado de Salt Lake designadas para rastrear casos de coronavírus na área.

As chamadas podem durar mais de 30 minutos, à medida que se responde meticulosamente a uma lista de perguntas.

"Encontro sempre pessoas que mentem" disse outra investigadora, Maria DiCaro, à agência AP. "Tento obter o máximo de informações desde o início, mas nem sempre é o caso. E o tempo é uma daquelas coisas que não se podem recuperar quando se tenta prevenir".

Algumas pessoas mentem porque estão assustadas ou esquecem uma saída que fizeram.

Trabalhadores da construção civil, empregadas domésticas e outras pessoas sem seguro de saúde podem encobrir os sintomas da covid-19, para que possam voltar ao trabalho. Alguns imigrantes sem documentação dispensam fazer o teste, com medo de que isso os leve à deportação.

"É normal conversar com o médico, mas nunca esperas que o departamento de saúde te ligue e diga: 'estiveste exposta a uma doença grave'", disse Anissa Archuleta.

A mulher, de 23 anos, recebeu um telefonema da investigadora DiCario depois de ter participado numa festa de aniversário, com a mãe e a irmã, em que os convidados passavam de carro ('drive-by').

Anissa Archuleta, a mãe e a irmã deixaram um presente e aceitaram o convite não planeado de entrar e petiscar.

O que não imaginavam era que o pai do aniversariante tinha o coronavírus e, sem saber, expôs mais de uma dúzia de pessoas no encontro.

Depois do primeiro telefonema, DiCaro continuou a chamar para fazer controlos todos os dias por duas semanas. O medo diminuiu quando os testes para o coronavírus resultaram negativos.

Na primeira semana das chamadas, Archuleta agradeceu a DiCaro por se preocupar com elas e por fazer o controlo todos os dias.

DiCaro emocionou-se: "Quando fazes isto durante dez ou 12 horas diariamente... É bom receber essas reações positivas de pessoas muito gratas que veem o propósito do que fazemos", disse DiCaro. "É bom ser apreciado".

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (94.729) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,5 milhões).

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