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Covid-19: A baixa taxa de mortalidade alemã que intriga especialistas

Com uma dimensão semelhante a Espanha e com uma população tão envelhecida como a de Itália, a Alemanha continua a registar uma taxa de mortalidade relativamente baixa apesar do número elevado de casos.

Covid-19: A baixa taxa de mortalidade alemã que intriga especialistas

A Europa é atualmente o epicentro da pandemia de Covid-19. Diariamente, vários países do Velho Continente divulgam números crescentes do número de mortes e de pessoas infetadas com o novo coronavírus. No entanto, o caso da Alemanha está a intrigar especialistas. O país apresenta um elevado número de casos de infeção, mas a taxa de mortalidade é muito baixa.

Por si só, este já seria um dado interessante. Mas torna-se ainda mais relevante se compararmos com a dramática progressão da Covid-19 em Itália e Espanha, países que registam das mais altas taxas de mortalidade no mundo.

As semelhanças entre estes três gigantes da Europa são notórias. São territórios de grandes dimensões e no caso de Alemanha e Itália, há um traço distinto que os une.

De acordo com dados do Population Reference Bureau, ambos apresentam as mais elevadas percentagens de cidadãos com 65 ou mais anos na Europa. Aliás, convém salientar que o Bloomberg Global Health Index sugere que os italianos até têm um estilo de vida mais saudável que os alemães.

Esta segunda-feira o Robert Koch Institute, o centro de controlo de doenças alemão, divulgou o mais recente balanço de mortes e casos de infeção na Alemanha. O país registou um aumento de cerca de quatro mil casos nas últimas 24 horas e totaliza agora 22.672 casos. O número de mortes devido à Covid-19 é de 86. Significa isto que a taxa de mortalidade na Alemanha é de 0,3%, o que compara com os 9% de Itália.

A preparação alemã para o coronavírus

Entre as explicações avançadas para a discrepância no número de mortes está a alta taxa de testes efetuados na Alemanha, o que permite uma aproximação mais precisa à ameaça do coronavírus, como refere o The Guardian. Mesmo os cidadãos que apresentam sintomas mais leves são testados relativamente cedo, o que confere uma percepção mais rigorosa da forma como vírus se propaga.

A Alemanha tem capacidade para realizar cerca de 12 mil testes por dia. Embora a sua taxa de testes seja inferior à da Coreia do Sul, por exemplo, definiu linhas de orientação há mais de um mês para que os cidadãos com sintomas leves fossem testados, assim como pessoas que contactaram com alguém infetado ou que tivessem viajado para zonas consideradas de alto-risco, como a Lombardia.

Notícias ao MinutoAs ruas de Berlim também estão por estes dias mais desertas© Getty Images

Outro dado importante é o tempo de preparação. Marylyn Addo, que lidera o departamento de infecciologia do Centro Médico da Universidade de Hamburgo, ressalvou ao The Guardian que, ao contrário dos hospitais do norte de Itália, que ficaram assoberbados de novos pacientes, a Alemanha ainda não atingiu a sua capacidade total e teve mais tempos para libertar camas (os hospitais alemães contavam com 28 mil camas nos cuidados intensivos antes da pandemia, e o governo de Angela Merkel pretende duplicar este número), reforçar o stock de equipamento e redistribuir o pessoal médico.

“Uma vantagem na Alemanha é que começámos a fazer contactos profissionais para rastrear quando os primeiros casos foram registados. Ganhámos algum tempo para preparamos as nossas clínicas para a tempestade que aí vinha”, frisa Addo.

O perfil etário das pessoas afetadas na Alemanha nas primeiras semanas também difere do de outro países. Os pacientes eram mais novos, o que ajuda a explicar a baixa a taxa de mortalidade. Um dado relevante face ao caso de Itália, onde a maioria das vítimas mortais são idosos.

No entanto, apesar destes sinais positivos, por agora, é assumido pelas autoridades de saúde e por especialistas que o panorama poderá mudar a longo prazo na Alemanha no que diz respeito à taxa de mortalidade. Christian Dorsten, virologista que tem aconselhado o Ministério da Saúde alemão, avisa que o número de mortes deverá subir nas próximas semanas.

“Vai parecer que o vírus se tornou mais perigoso, mas será um artefacto estatístico, uma distorção. Vai simplesmente refletir o que já está a começar a acontecer: estão a escapar-nos cada vez mais e mais infeções”, advertiu.

Metodologia usada nos dados diverge da de outros países

A metodologia na recolha de dados na Alemanha oferece outro ângulo da diferença dos números para Espanha ou Itália.

Se um paciente testar positivo para Covid-19 na Alemanha, o médico vai notificar a autoridade de saúde local, que vai depois transferir digitalmente os dados para o Robert Koch Institute. O desfasamento neste processo justifica porque é que os números do RKI são todos os dias diferentes dos divulgados pela universidade norte-americana Johns Hopkins, que atualiza a sua tabela com mais frequência.

Por exemplo, os dados mais recentes da Johns Hopkins dão conta de 28.865 casos registados na Alemanha e de 118 mortes, o que compara com os 22.672 casos do RKI E 86 mortes.

Junta-se a isto o facto de que, ao contrário de Itália, onde há uma generalização de testes postmortem para detetar o novo coronavírus, na Alemanha o RKI adianta que quem não foi testado para a Covid-19 enquanto esteve vivo, mas que era suspeito de estar infetado, “pode” ser testado. Mas como o sistema de saúde alemão é descentralizado esta não é uma prática rotineira, por isso pode haver um número superior de pessoas que morreram de Covid-19 sem terem sido diagnosticadas.

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