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ONU exige apoio humanitário a migrantes e refugiados na fronteira da UE

A Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu hoje tratamento decente e apoio humanitário para os migrantes e refugiados que estão a tentar entrar em território da União Europeia (UE) através da Turquia.

ONU exige apoio humanitário a migrantes e refugiados na fronteira da UE

de importância crítica que os direitos [dos migrantes e refugiados] sejam respeitados, que a sua dignidade seja respeitada, que haja solidariedade global", sublinhou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, citado pela agência espanhola Efe.

Contudo, Dujarric recusou comentar os métodos que estão a ser utilizados para impedir a entrada de migrantes e refugiados na Grécia.

Várias organizações não-governamentais denunciaram o uso indiscriminado de balas de borracha e de gás lacrimogéneo pelas autoridades gregas em várias pessoas que tentavam atravessar a fronteira daquele país.

Questionado sobre estas ações, o porta-voz de António Guterres respondeu "todos os países têm o direito de controlar as suas fronteiras", mas é necessário que sejam evitadas quaisquer medidas que possam "causar danos".

"Há vidas em perigo e cada uma dessas pessoas, migrantes ou refugiados, precisa de ser tratada com dignidade. Essas pessoas precisam de apoio, precisam de ajuda humanitária", reiterou Stéphane Dujarric.

Desde sexta-feira que milhares de pessoas estão concentradas junto das fronteiras terrestres da Grécia, cercadas e vigiadas pela polícia e exército gregos, depois de a Turquia ter permitido aos refugiados e imigrantes no seu território que tentassem alcançar a Europa.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu na quarta-feira uma "resposta humanitária" na fronteira da UE com a Turquia e apelou a todos os países para que tenham uma abordagem "equilibrada e humana" sobre a matéria.

Num comunicado, a OIM diz que uma primeira avaliação indica que muitas dessas pessoas são vulneráveis, com grande percentagem de mulheres e crianças, e estão sem comida, sem água e muitas sem sítio para dormir.

As relações entre a Europa e a Turquia deterioraram-se na sequência da decisão do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de abrir as suas fronteiras à passagem de migrantes e refugiados para a Europa e, nomeadamente, para a Grécia, como forma de forçar os países europeus a "apoiar as soluções políticas e humanitárias turcas na Síria".

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla inglesa), Jens Stoltenberg, apelou hoje à Europa para chegar a acordo com a Turquia, admitindo que há muitos desacordos sobre a Síria, mas lembrando que Ancara foi importante na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico.

O mal-estar entre a Turquia e o Ocidente começou com a ofensiva lançada pelo exército turco ao nordeste da Síria sem qualquer consulta à Aliança Atlântica.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 21 países da União Europeia que são membros da NATO vão reunir-se dos dias 02 e 03 de abril, em Bruxelas, sendo este um tema protagonista das conversações.

Erdogan anunciou, entretanto, a entrada em vigor à meia-noite [21h00 em Lisboa] de um cessar-fogo na província síria de Idlib após as conversações de hoje em Moscovo com o Presidente russo, Vladimir Putin, mas advertiu que Ancara ripostará a qualquer ataque.

A ofensiva das forças de Damasco em Idlib, o último bastião 'jihadista' e rebelde na Síria e onde estão presentes tropas turcas, provocou uma grave crise humanitária, com cerca de um milhão de deslocados que se dirigiram para a fronteira com a Turquia.

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