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Europa promete mais apoio à luta dos países africanos contra terrorismo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu hoje, na sede da União Africana, em Adis Abeba, mais apoio da União Europeia (UE) aos países africanos na luta contra o terrorismo.

Europa promete mais apoio à luta dos países africanos contra terrorismo

A chefe do executivo comunitário assumiu o compromisso durante a décima reunião bilateral das comissões da União Africana (UA) e da UE, encontro que se realiza desde 2015 e durante o qual os comissários das duas organizações abordaram os desafios comuns da paz, imigração, revolução digital e emergência climática.

"Devemos permitir que África e os países africanos se defendam do terrorismo", disse Von der Leyen, que falava, em conferência de imprensa conjunta, com o presidente da comissão da UA, Moussa Faki Mahamat.

A responsável europeia defendeu "uma forma prudente e respeitadora" de apoio por parte da Europa.

"São os países africanos que sabem melhor quem são os terroristas e onde operam", acrescentou, adiantando que a cooperação se centrará em áreas como a capacitação de forças militares, troca de informações e vigilância.

África enfrenta a atuação de grupos 'jihadistas' como o Al Shabab, na Somália, ou o Boko Haram, na Nigéria, grupos que ameaçam também os países vizinhos.

"A União Europeia foi o maior investidor na paz e na segurança em África com uma contribuição de mais de 3 mil milhões de euros", durante dos últimos 15 anos, apontou, por seu lado, Moussa Faki Mahamat.

Ainda durante a conferência de imprensa, Ursula Von der Leyen considerou aconselhável rejeitar a noção de que a UA se deve adaptar à União Europeia.

"Não devemos esperar que a União Africana se adapte à União Europeia. Uma verdadeira parceria é explorar possibilidades em conjunto", afirmou.

As declarações da presidente da Comissão Europeia surgem depois de o presidente da Comissão Africana, Moussa Faki Mahamat, ter sublinhado, no início do encontro, as diferenças que persistem entre africanos e europeus em questões como a justiça internacional, a pena de morte ou os direitos dos homossexuais.

"Há diferenças e é importante marcá-las e discuti-las. Essa é a essência de uma boa parceria, construímos a partir de projetos sobre os quais conseguimos concordar e marcamos claramente quais são as nossas diferenças, tentando convencer-nos mutuamente", disse Ursula von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia sublinhou que, para a Europa, é decisiva a clareza sobre questões como a dignidade do ser humano, os direitos humanos e a diversidade.

"Para nós é muito importante ser claro nestes assuntos, mas respeitamos posições diferentes. Tentamos convencer, mas registamos que há posições diferentes", sublinhou.

Moussa Faki Mahamat, por seu lado, assinalou os "valores comuns" entre africanos e europeus, mas ressalvou que "cada um tem a sua identidade".

"Quando há problemas, as pessoas interessadas é que têm de tratar desses problemas e são elas que têm de pedir, se for necessário, o apoio de amigos e parceiros. Para nós a solução africana para problemas africanos é uma evidência", salientou.

O aprofundamento das relações de comércio e de investimento privado e a luta contra as alterações climáticas foram apontados por Ursula von der Leyen como os tópicos em que existe entendimento entre os dois blocos.

A presidente da comissão manifestou a intenção da União Europeia de aproveitar o Tratado de Livre Comércio em África (AfCFTA, na sigla em inglês), que deverá criar a maior zona de comércio livre do mundo com 1.200 milhões de consumidores e gerar um Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4 mil milhões de dólares (3,097 mil milhões de euros).

"A UE é o maior investidor e parceiro comercial de África e queremos que isso se mantenha", vincou.

Ursula von der Leyen liderou, em Adis Abeba, "a maior delegação de sempre da UE ao estrangeiro", segundo as suas próprias palavras, sendo acompanhada pelo alto representante para a política externa da UE, Josep Borrell, e outros 20 comissários europeus.

A visita da presidente da Comissão Europeia à sede da UA, na Etiópia, é a segunda desde que assumiu o cargo em dezembro, e pretende ser uma declaração da importância que a UE dará ao continente africano nos próximos cinco anos.

Os dois blocos realizam em outubro, em Bruxelas, uma cimeira de chefes de Estado e de governo, devendo, até essa data, ser apresentada a nova estratégia da UE para África.

"Europa e África são aliados naturais. Temos um vínculo histórico e partilhamos muitos desafios atuais", resumiu Von der Leyen.

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