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Alemanha usará "todo o poder" para combater ataques étnicos

A chanceler alemã, Angela Merkel, condenou hoje os tiroteios em Hanau, que mataram nove pessoas, e garantiu que o Governo usará "todo o seu poder" para combater aqueles que tentam dividir o país em termos étnicos.

Alemanha usará "todo o poder" para combater ataques étnicos

As declarações de Merkel foram feitas hoje de manhã, numa conferência de impressa na qual a chanceler assegurou que "tudo será feito para investigar as circunstâncias dos terríveis assassínios" em Hanau, referindo que tudo indica que foram motivados por razões racistas de extrema-direita.

Um alemão de 43 anos matou, na quarta-feira à noite, nove pessoas em dois ataques. O primeiro aconteceu num bar de fumadores de cachimbo de água (shisha/narguilé) no centro de Hanau, por volta das 22h00, e o segundo pouco depois, a cerca de 2,5 quilómetros a oeste.

Os salões de narguilé são lugares onde as pessoas se reúnem para fumar tabaco com sabor em cachimbos, uma prática associada ao Médio Oriente. Algumas das vítimas parecem ser turcas, segundo a agência de notícias Associated Press.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusoglu, anunciou que o consulado turco em Frankfurt e a embaixada em Berlim estão a tentar obter informações sobre o ataque, incluindo a possibilidade de que algumas das vítimas serem turcas.

Na conferência hoje realizada, Angela Merkel sublinhou que "o racismo é um veneno", acrescentando que o atacante "parece ter sido motivado por ódio contra pessoas de outra origem, de outra religião ou de outra aparência".

O homem fugiu dos locais dos tiroteios, mas testemunhas e vídeos de vigilância do carro de fuga do suspeito levaram as autoridades à sua casa, perto do local do segundo ataque, onde foi encontrado morto perto do corpo da sua mãe, de 72 anos, disse Peter Beuth, ministro do Interior do estado de Hesse.

Tanto o suspeito como a sua mãe tinham ferimentos de bala, e a arma foi encontrada junto no suspeito, adiantou Beuth.

Segundo Peter Beuth, a investigação do crime foi assumida pela procuradoria-geral alemã e o caso está a ser tratado como um ato de terrorismo doméstico.

O ministro adiantou ainda estar a ser analisado um site que se acredita ser do suspeito.

"A análise inicial da página do suspeito indica uma motivação xenófoba", disse, acrescentando que o suspeito não é conhecido da polícia ou dos serviços secretos da Alemanha.

No site, Tobias R. diz que nasceu em Hanau, em 1977, e cresceu na cidade, tendo estagiado num banco e concluído um curso de Gestão em 2007.

A chanceler alemã cancelou a visita que tinha hoje programada a uma universidade em Halle, local onde, no ano passado, um homem que expressava visões antijudaicas tentou entrar numa sinagoga e, apesar de não ter conseguido, acabou por matar dois transeuntes.

O tiroteio em Halle ocorreu meses após o assassinato de um político regional do partido de Merkel, lembrou o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.

"Os nossos pensamentos desta manhã estão com o povo de Hanau", disse Seibert na rede social Twitter.

"[Enviamos] simpatia profunda pelas famílias afetadas, que estão a sofrer pelos seus mortos e esperamos que os feridos se recuperem rapidamente".

Além dos mortos, o ministro do Interior de Hesse afirmou ter ficado uma pessoa gravemente ferida nos tiroteios de Hanau e várias outras sofrido ferimentos ligeiros.

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