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Irão/Eleições. Ex-presidente da câmara de Teerão contra PR Rohani

 O ex-presidente da câmara de Teerão e candidato conservador moderado ao parlamento Mohammad Baqer Qalibaf criticou hoje duramente o Presidente Hassan Rohani durante o comício de encerramento da sua campanha para as legislativas de sexta-feira no Irão.

Irão/Eleições. Ex-presidente da câmara de Teerão contra PR Rohani
Notícias ao Minuto

16:38 - 19/02/20 por Lusa

Mundo Irão

Numa intervenção perante centenas de pessoas que lotaram a principal mesquita de Shafa Rey, zona popular e menos desenvolvida na parte sudoeste de Teerão, Qalibaf disse que os problemas económicos do país não se devem somente às sanções restabelecidas pelos Estados Unidos, mas também à "má gestão".

Ao som de um hino que enaltece os feitos do Irão e apela à união e ao combate à corrupção, os apoiantes de Mohammad Baqer Qalibaf foram-se juntando no interior da mesquita e a chegada do candidato levou os presentes ao rubro, com muitos a pegarem nos telemóveis e fotografarem o que dizem ser a "voz dos que não têm voz", como disse à Lusa MirSalimi, que foi um dos primeiros a chegar ao local.

Os conservadores têm tudo para serem bem-sucedidos nas legislativas de sexta-feira. Os reformistas e moderados viram milhares dos seus candidatos vetados pelo Conselho Guardião, e apostam em reforçar a maioria que já têm no Majlis (Parlamento).

E o discurso de Qalibaf vai na sua direção. A luta anticorrupção, os feitos enquanto comandante da polícia e, sobretudo, enquanto presidente da câmara da capital, são passados em revista pelos cinco dirigentes que o apoiam.

Ladeado pelos candidatos da coligação, sentados no seu lado esquerdo, e tendo perante si centenas, homens à frente mulheres atrás - as exceções a esta disposição vieram das jornalistas a quem é permitido chegarem-se as filas da frente - Qalibaf tem atrás de si um enorme cartaz em que se destaca o nome da sua formação partidária e o primeiro e o último Guia Supremo da revolução islâmica que derrubou em 11 de fevereiro a dinastia do Xá Reza Pahlavi: Ruhollah Khomeini e Ali Khamenei, respetivamente.

Na primeira referência da sua intervenção, Qalibaf fala da economia e diz que o balanço destes últimos quatro anos de presidência de Rohani, de quem criticou a abertura ao Ocidente, "não é muito bom".

"Os efeitos das sanções económicas são de tal maneira que o país não pode aguentar muito mais", acentua, para a seguir desferir o ataque mais forte a política moderada de Hassan Rohani.

"A situação económica do país é má, mas não é só pelas sanções [dos Estados Unidos]. É também por má gestão", afirma, destacando que "é o povo, que tem lutado para desenvolver o país. Não são as políticas do Governo".

Qalibaf acrescenta que "um bom parlamento é o que é eleito para dar expressão à vontade do povo. Não é para fazer uma política diferente".

Líder da recém-formada coligação de conservadores denominada Irão Orgulhoso, Qalibaf, de 58 anos, dirigiu a câmara de Teerão entre 2005 e 2017, mas antes à frente da polícia, criou reputação no combate à criminalidade e à corrupção.

Do lado das derrotas, acumula três fracassos na corrida à Presidência e agora apresenta-se como "tecnocrata".

O Conselho Guardião tem o poder de validar ou invalidar as candidaturas a eleições segundo uma série de critérios, designadamente a lealdade à República Islâmica.

Para as legislativas da próxima sexta-feira, o Conselho invalidou cerca de 7.200 candidatos (num total de 14.500) maioritariamente reformadores e moderados, o que suscitou críticas do Presidente da República, o conservador moderado Hassan Rohani, e dos aliados deste.

Para a eleição desta sexta-feira, os reformadores anunciaram previamente, pela primeira vez, que não apresentariam candidatos em Teerão e noutras cidades, justificando com a falta de condições para uma "competição justa".

Do lado dos ultraconservadores, a principal figura é Morteza Aghatehrani, que já foi eleito deputado em duas ocasiões.

Com a desqualificação de muitos nomes importantes do lado dos reformadores, Majid Ansari, próximo do antigo Presidente Mohammad Khatami, surge como a figura de proa do movimento para o escrutínio.

EL // ANP

Lusa/Fim

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