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Guaidó sabe que Espanha não mudou de posição em relação a Venezuela

A primeira vice-presidente do Governo espanhol, Carmen Calvo, disse hoje que o autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, "sabe" que o Governo espanhol "não mudou de posição em relação à política da Venezuela".

Guaidó sabe que Espanha não mudou de posição em relação a Venezuela

Em declarações à imprensa, Carmen Calvo respondeu a uma pergunta sobre uma suposta mudança na política espanhola em relação à Venezuela.

"Se Guaidó não tem algum problema, vamos ver se o resto vai ter", disse Carmen Calvo.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, referiu-se a Guaidó como chefe da oposição venezuelana e não como autoproclamado Presidente interino, durante debate parlamentar em que a direita atacou a posição do executivo de Madrid.

Sánchez defendeu também, no parlamento, o seu ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, que considerou ter evitado uma "crise diplomática" ao reunir-se no final de janeiro, no aeroporto internacional de Madrid, com a vice-Presidente venezuelana Delcy Rodríguez, proibida de entrar no território da União Europeia (UE).

O encontro entre Ábalos e Rodríguez no aeroporto foi o grande tema da sessão de perguntas ao Governo no parlamento, a primeira desta legislatura, com vários outros ministros a terem de responder às questões da oposição espanhola.

A líder parlamentar do PP (Partido Popular, direita), Cayetana Álvarez de Toledo, acusou Ábalos de "ter prejudicado seriamente a credibilidade da Espanha" tanto na América Latina como na Europa, ao mostrar-se um "aliado de uma ditadura".

Por seu lado, o presidente do Vox (extrema-direita) exigiu que Sánchez assumisse a responsabilidade do encontro.

"Isto é muito fácil [...]. Se você deu a ordem, demita-se; se foi dada pelo seu vice-presidente [Pablo Iglesias do partido de extrema-esquerda Podemos], que é o delegado de [Nicolas] Maduro, ambos se demitem; se o Senhor Ábalos agiu por conta própria, é melhor que ele saia; se Maduro deu a ordem a todos vocês, podem sair todos juntos", disse Santiago Abascal.

O primeiro-ministro espanhol veio em defesa do seu ministro dos Transportes, garantindo que este "cumpriu o seu dever" de evitar uma crise diplomática e defendeu as relações do seu governo com o Guaidó.

Prova destas boas relações, disse Sánchez, é que o próprio Guaidó reconheceu que tem as "melhores relações com a Espanha" e que "continuará a insistir em trabalhar com todos".

Pedro Sánchez destacou o bom trabalho de Ábalos e referiu-se a Guaidó como "líder da oposição", na linha do que foi declarado em janeiro passado pelo secretário-geral do Podemos e agora segundo vice-presidente do Governo.

O presidente do PP, Pablo Casado, criticou de imediato a frase do chefe do Governo e exigiu uma correção pública.

No debate que teve lugar em seguida, o ministro dos Transportes assegurou que Madrid "continua a reconhecer o Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó".

Ábalos também acusou o PP de falta de lealdade a Espanha e aos venezuelanos ao "colocar em evidência" uma questão diplomática "tão complexa" como manter um equilíbrio entre apoiar Guaidó e não romper relações com o Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, para não prejudicar os mais de 150 mil espanhóis que vivem na Venezuela e os mais de 320 mil venezuelanos residentes na Espanha.

"Não podia imaginar tal deslealdade", disse Ábalos, que acusou o PP de "questionar a credibilidade" da Espanha a nível internacional e confrontar os Estados Unidos e a UE (União Europeia) com as suas acusações.

José Luis Ábalos é uma figura destacada do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que está coligado com o Podemos no Governo minoritário que tomou posse em meados de janeiro.

Ábalos começou no final de janeiro por negar o encontro com a vice-Presidente de Maduro, mas depois reconheceu essa reunião, tendo em seguida dado várias versões sobre a mesma.

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