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Desaparecidos sob custódia do grupo Estado Islâmico devem ser prioridade

A situação dos desaparecidos sob custódia do grupo extremista Estado Islâmico deve ser uma prioridade para as autoridades na Síria, defendeu hoje a organização Human Rights Watch, recomendando a criação de um sistema de partilha de informação.

Desaparecidos sob custódia do grupo Estado Islâmico devem ser prioridade
Notícias ao Minuto

06:35 - 11/02/20 por Lusa

Mundo Síria

No relatório "Kidnapped by ISIS: Failure to Uncover the Fate of Syria´s Missing (Sequestrados pelo ISIS - Estado Islâmico: Falha na descoberta do destino dos desaparecidos na Síria)", divulgado hoje, a Human Rights Watch (HRW) chama a atenção para os milhares que desapareceram quando o grupo 'jihadista' controlava partes da Síria e para a angústia das famílias por desconhecerem a sua situação.

"Os numerosos crimes do Estado Islâmico (EI) incluem o rapto e desaparecimento de milhares de ativistas, jornalistas e trabalhadores humanitários, assim como adversários", indicou Joe Stork, vice-diretor para o Médio Oriente da HRW, citado num comunicado da organização.

"A angústia das suas famílias é agravada pelo fracasso das autoridades em dar prioridade à descoberta de informação sobre o que lhes aconteceu, quase um ano depois da derrota do EI", adiantou.

O número total de desaparecidos não é conhecido, mas a Rede Síria de Direitos Humanos tem comprovados 8.143 casos de pessoas detidas pelo EI cuja situação se desconhece.

Os investigadores da HRW realizaram quatro deslocações ao nordeste da Síria e entrevistaram 31 pessoas, incluindo familiares e colegas de pessoas que desapareceram, prisioneiros do EI e especialistas forenses. No relatório são destacados 27 casos de indivíduos ou grupos detidos pelo grupo extremista e cujas últimas informações os colocam sob sua custódia antes da derrota militar dos 'jihadistas'.

Entre eles encontra-se o do padre jesuíta italiano Paolo Dall'Oglio, 64 anos, visto pela última vez em julho de 2013 em Raqa -- na altura esta cidade síria era a 'capital' do proclamado califado do Estado Islâmico -- quando tentava obter informações sobre ativistas detidos.

O cirurgião Ismaeel al-Hamed, 51 anos, foi levado por homens com máscaras em novembro de 2013 quando se dirigia para a sua clínica em Raqa, indica o relatório da HRW, que o descreve como "destacado ativista e líder comunitário". Hamed terá participado e organizado protestos contra o governo sírio em 2011 e sido um dos primeiros a criticar o EI quando o grupo ocupou a sua cidade.

Outro dos casos é o da ativista da rede social Facebook Ruqaiya al-Ahmed, uma curda de 25 anos, levada de sua casa em Raqa em meados de 2014 por agentes de segurança femininos do EI, que ordenaram que levasse o computador e o telemóvel.

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque defende que as autoridades que controlam atualmente as áreas que estavam antes sob controlo do EI "devem priorizar a partilha de informação com as famílias", recomendando a criação de "organismos centralizados" para recolher informações sobre os que "desapareceram sob o regime do Estado Islâmico" e "permitir que as famílias registem os seus casos".

A HRW pede que as famílias sejam informadas sobre "o destino, paradeiro e estatuto legal de todas as pessoas detidas" e que seja dada resposta a todos os pedidos de informações pendentes.

Sugere ainda que se tente obter informações sobre os desaparecidos junto de "suspeitos do Estado Islâmico sob custódia" e que as autoridades dediquem "recursos para proteger as valas comuns".

"Os aliados, incluindo a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, devem comprometer-se com o apoio financeiro e técnico necessário", adianta a Human Rights Watch.

Em março de 2019, a coligação internacional contra o Estado Islâmico e as Forças Democráticas Sírias (FDS, coligação dirigida pelos curdos) declararam a "derrota territorial" do grupo extremista na Síria, após a tomada do seu último bastião, a localidade de Baghuz, no leste do país.

Os curdos ficaram então a controlar o território, mas a retirada de tropas norte-americanas em outubro e a subsequente ofensiva da Turquia no nordeste da Síria, que levou as autoridades curdas a convidarem a regime de Bashar al-Assad e o seu aliado russo a entrarem na sua zona implicaram "uma mudança nas autoridades com controlo efetivo das áreas anteriormente" ocupadas pelo EI, refere a organização de defesa dos direitos humanos.

"A extensão do controlo das forças do governo sírio, turcas, curdas e da coligação conduzida pelos Estados Unidos nas antigas áreas do Estado Islâmico continua confusa, complicando ainda mais a situação", explica.

A HRW lembra, no entanto, que a lei internacional obriga todas as autoridades "a tomarem todas as medidas possíveis para saberem das pessoas desaparecidas devido a conflitos armados nas áreas que controlam efetivamente e a darem às famílias informação sobre o que lhes sucedeu".

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