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ONU quer mais dinheiro para combater praga de gafanhotos em África

A Organização das Nações Unidas (ONU) apelou hoje à comunidade internacional por "mais fundos" financeiros para apoiar de "imediato os países afetados" pela maior praga de gafanhotos no continente africano nos últimos 25 anos.

ONU quer mais dinheiro para combater praga de gafanhotos em África
Notícias ao Minuto

21:50 - 10/02/20 por Lusa

Mundo ONU

De acordo com o comunicado divulgado na página oficial das Nações Unidas na internet, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, afirmou que o apoio financeiro é destinado a 13 milhões de pessoas na Etiópia, Somália, Quénia, Djibuti e Eritreia que estão a ser afetadas pela 'nuvem' de gafanhotos.

Segundo a nota da ONU, "uma nuvem [de gafanhotos] de até 2,4 mil quilómetros quadrados foi observada no nordeste do Quénia" e estima-se que "os cerca de 200 mil milhões de insetos observados" consigam comer o equivalente para "alimentar 84 milhões de pessoas" num dia.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla inglesa) pediu 70 milhões de dólares (mais de 64 milhões de euros), em 30 de janeiro, para mobilizar urgentemente a ajuda necessária às populações do Quénia, Somália e Etiópia, prossegue o comunicado.

O valor foi, entretanto, "atualizada para 76 milhões de dólares [mais de 69 milhões de euros] para cobrir as necessidades crescentes no Djibuti e na Eritreia".

Contudo, o apelo para o apoio financeiro não deverá ficar por aqui, uma vez que o avanço da praga de gafanhotos "coloca outras cerca de seis milhões" de pessoas "em grande risco de passar fome no Sudão do Sul e no Uganda".

Mark Lowcock considera urgente a resposta a este apelo, uma vez que os "países afetados com a situação já estão sobrecarregados".

A praga de gafanhotos que assola o Corno de África foi declarada "emergência nacional" na Somália, onde estes insetos têm devastado o aprovisionamento alimentar de uma das regiões mais pobres do mundo, anunciou em 02 de fevereiro o Ministério da Agricultura do país.

A Somália foi o primeiro país da região a mobilizar-se para combater a praga de gafanhotos, cujo surgimento, segundo os especialistas, se deve às variações climáticas extremas.

Nuvens espessas de gafanhotos famintos têm se espalhado da Etiópia e Somália para o Quénia, onde a agência das FAO estimou no final de janeiro que apenas uma dessa nuvem cobriria uma área de 2.400 quilómetros quadrados, o tamanho do Luxemburgo.

Entretanto, milhões de gafanhotos que atingem parte do Quénia, na pior praga dos últimos 70 anos, estão a ser combatidos por aviões que lançam pesticidas, o único meio efetivo de controlo, segundo os especialistas.

Trata-se de um trabalho desafiante, especialmente em partes remotas do Quénia, onde não existe rede de telemóvel e as equipas em terra não conseguem comunicar facilmente coordenadas ao pessoal de voo.

Cinco aviões estão atualmente a dispersar 'spray' no Quénia e outras autoridades estão a tentar impedir os gafanhotos de se espalharem aos vizinhos Uganda e Sudão do Sul.

As Nações Unidas afirmaram que são necessários imediatamente 76 milhões de dólares para desenvolver tais esforços no leste de África.

Especialistas avisaram que sem controlo, o número de gafanhotos pode crescer 500 vezes até junho, quando o tempo mais seco poderá ajudar a controlar o surto.

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