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Líbia: 'Vizinhos' reunidos em Argel rejeitam interferência estrangeira

Os países vizinhos da Líbia rejeitaram hoje "toda a ingerência estrangeira" no país em guerra civil, durante uma reunião em Argel destinada a contribuir para a solução política de um conflito que ameaça a estabilidade de toda a região.

Líbia: 'Vizinhos' reunidos em Argel rejeitam interferência estrangeira
Notícias ao Minuto

18:44 - 23/01/20 por Lusa

Mundo Líbia

No final do encontro que decorreu à porta fechada, o chefe da diplomacia argelina, Sabri Boukadoum, referiu em conferência de imprensa que os participantes sublinharam a "necessidade de respeitar a Líbia enquanto Estado unido, e respeitar a soberania das autoridades legítimas no conjunto do território".

Por iniciativa da Argélia, o encontro juntou na mesma mesa os ministros dos Negócios Estrangeiros da Tunísia, Egito, Chade, e do Mali. Também estiveram presentes diplomatas do Sudão e Níger.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, que se deslocou à capital argelina, informou os participantes dos resultados da cimeira internacional que decorreu no domingo em Berlim.

"Esta reunião não é um mecanismo mas antes uma reunião de concertação e de coordenação para que seja escutada a voz dos países vizinhos nos fóruns internacionais", explicou Boukadoum.

O responsável argelino sublinhou que os participantes na reunião manifestaram a "rejeição de toda a ingerência estrangeira na Líbia" e encorajaram "as partes líbias a resolverem a sua crise por meios pacíficos".

No entanto, este encontro não contou com a presença de representantes das duas forças em conflito na Líbia, e que têm criticado a posição de "equidistância" assumida pela Argélia.

A Líbia, que possui as mais importantes reservas africanas de petróleo regista uma espiral de violência, caos e luta pelo poder desde o derrube em 2011 de Muammar Khadafi na sequência de uma rebelião interna e a intervenção militar da França, Reino Unido e Estados Unidos.

Duas autoridades disputam desde 2015 o controlo do país, o Governo de Acordo Nacional (GAN) liderado por Fayez al-Sarraj, reconhecido pela ONU e sediado em Tripoli, e um poder paralelo estabelecido no leste e liderado pelas forças do marechal dissidente Khalifa Haftar, que em abril de 2019 desencadearam uma ofensiva em direção à capital.

Diversos países africanos sentiram-se marginalizados por não participarem na reunião de Berlim, onde foi decidido respeitar um embargo às armas e a não interferência nos assuntos internos líbios, e quando se verifica a ingerência, direta ou indireta, de diversos países na guerra civil.

No entanto, as consequências no terreno do compromisso de Berlim permanecem incertas, após Al-Sarraj e Haftar terem recusado encontrar-se diretamente na capital alemã.

Neste contexto, o chefe da diplomacia de Argel, apesar de manifestar esperança numa "resolução política" do conflito argelino, apelou que a União Africana e a ONU se associem a uma solução.

O recém-eleito Presidente argelino Abdelmadjid Tebboune, que esteve presente em Berlim, assinalou na quarta-feira que os dirigentes dos dois campos em confronto na Líbia "consideram que a única potência com capacidade para resolver este problema" é a Argélia.

"Todos pedem a mediação da Argélia. É encorajador (...). A paz na Líbia é sinónimo de paz no nosso país", sublinhou Tebboune na quarta-feira no decurso de um encontro inédito com 'media' públicos e privados argelinos.

A Argélia, que partilha uma fronteira de 1.000 quilómetros com a Líbia, multiplicou nas últimas semanas as consultas destinadas a tentar garantir uma solução política.

Após o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte e os chefes da diplomacia francesa, turca, egípcia e italiana, o Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan é esperado no domingo em Argel para uma visita de dois dias, na sequência do envio de "instrutores militares" turcos em apoio do GAN.

"A mobilização [das forças argelinas] e a compra de armas implicam despesas que poderíamos consagrar ao desenvolvimento (...). Cada vez que somos informados sobre um tipo de armas [na Líbia], compramos as [mesmas] armas para as enfrentarmos", observou Tebboune.

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