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Rafael Marques quer PGR angolana a investigar facilitadores estrangeiros

O ativista angolano Rafael Marques de Morais defendeu hoje que os facilitadores estrangeiros envolvidos na investigação conhecida como 'Luanda Leaks', que expôs os esquemas suspeitos na origem do império de Isabel dos Santos, devem responder perante a justiça angolana.

Rafael Marques quer PGR angolana a investigar facilitadores estrangeiros

"O que nós vemos hoje? As riquezas de Angola, os privilégios em Angola são apenas para uma pequena elite e para os cidadãos estrangeiros, como vemos agora no caso Isabel dos Santos. É uma família e um batalhão de estrangeiros de vários países que vieram ajudá-la a saquear", declarou o também jornalista à margem do Colóquio "Juventude em Ação" promovido pelo Ufolo (Centro de Estudos para a Boa Governação), hoje apresentado em Luanda.

Salientando que o fundamental neste momento é a cooperação judicial, Rafael Marques considerou que a luta anticorrupção não tem sido apenas dirigida a Isabel dos Santos e sua família, já que há várias figuras públicas do MPLA (partido no poder) que foram indiciadas por vários crimes, mas notou que a Procuradoria Geral da República (PGR) de Angola não está a acusar estrangeiros.

"Todos estes dirigentes, generais, ministros e outros pilharam o país com ajuda de muitos estrangeiros. Onde estão esses estrangeiros" questionou, acrescentando que "para que, de facto, as pessoas acreditem mais na justiça angolana temos de começar a ver que os estrangeiros facilitadores do saque de Angola comecem também a ser investigados pelas autoridades angolanas".

Considerou ainda "muito estranho" que "empresas que se dedicaram a pilhar o país", como a Odebrecht (construtora brasileira envolvida no escândalo Lava-Jato) que foi investigada em vários pontos do mundo, não esteja a ser alvo de um processo em Angola.

Tal como "não há um processo contra várias empresas portuguesas que facilitaram o saque em Angola, não há processos contra esses cidadãos estrangeiros", questionou.

Para o ativista, agora que Angola se encontra "numa fase muito avançada de exposição sobre questões de corrupção, que é notícia em todo o mundo", também a PGR deve começar a investigar "os estrangeiros que ajudaram ativamente a saquear este país" para que não sejam sempre os angolanos a pagar a fatura porque não foram os únicos a roubar neste país.

Sobre o facto de outras figuras indiciadas por crimes terem deixado de ser faladas afirmou que para a imprensa portuguesa e internacional "é muito mais 'glamouroso' o caso da Isabel dos Santos" e que "a responsabilidade não é dos angolanos".

Reforçou que a imprensa angolana tem falado de Higino Carneiro (general e deputado do MPLA), Manuel Rabelais (antigo ministro da Comunicação Social) e Vitória de Barros Neto (ex-ministra das Pescas), muitos dos quais já constituídos arguidos e pronunciados, enquanto "na Europa não foi notícia de destaque" a condenação do ex-ministro dos Transportes (Augusto Tomás).

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no domingo mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

A empresária Isabel dos Santos disse estar a ser vítima de um ataque político orquestrado para a neutralizar e sustentou que as alegações feitas contra si são "completamente infundadas", prometendo "lutar nos tribunais internacionais" para "repor a verdade".

De acordo com a investigação deste conjunto de órgãos de comunicação social, entre os quais o Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema de ocultação que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai e que tinha como única acionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da operadora NOS.

Os dados divulgados envolvem também o advogado pessoal da empresária, o português Jorge Brito Pereira (sócio da Uría Menéndez, o escritório de Proença de Carvalho), o presidente do conselho de administração da Efacec, Mário Leite da Silva (CEO da Fidequity, empresa com sede em Lisboa detida por Isabel dos Santos e o seu marido), e Sarju Raikundalia (ex-administrador financeiro da Sonangol).

Segundo os documentos, Isabel dos Santos e Sindika Dokolo têm participações acionistas de empresas e bens, como imobiliários, em países como Angola, Portugal, Reino Unido, Dubai e Mónaco.

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