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Tribunal condena 86 islâmicos a prisão por protestos anti-Asia Bibi

Mais de 80 elementos de um partido islâmico foram condenados por um tribunal paquistanês a penas individuais de 55 anos de prisão pela participação em protestos contra a absolvição da cristã acusada de blasfémia Asia Bibi, foi hoje divulgado.

Tribunal condena 86 islâmicos a prisão por protestos anti-Asia Bibi

A sentença, considerada invulgarmente pesada para este género de caso no Paquistão, onde a questão da blasfémia é particularmente sensível, foi pronunciada na quinta-feira por um tribunal de Rawalpindi (norte do Paquistão), afirmou, em declarações à agência France Presse (AFP), um dirigente do partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP), Pir Ejaz Ashrafi.

"É uma farsa de justiça, com sentenças particularmente pesadas", denunciou Pir Ejaz Ashrafi, garantindo que o TLP irá recorrer da sentença.

Os 86 condenados são membros do TLP, um partido radical islâmico que organizou manifestações em 2018 em todo o país, que degeneraram em situações de violência, para contestar a absolvição da cristã Asia Bibi, que tinha sido condenada à morte por blasfémia em 2010 e que seria absolvida em outubro de 2018.

Após o anúncio da absolvição da cristã, milhares de membros do TLP bloquearam durante três dias as principais estradas do país para exigir a suspensão da decisão judicial.

O partido radical chegou a pedir o assassínio dos juízes do Supremo Tribunal que deliberaram a absolvição da cristã e a apelar a motins no exército.

Em finais de novembro de 2018, o Governo paquistanês anunciou a detenção do líder do TLP, Khadim Hussain Rizvi, e de 3.000 dos seus seguidores, na sequência dos protestos.

Khadim Hussain Rizvi seria libertado em maio de 2019.

O julgamento dos 86 membros do TLP durou mais de um ano.

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi acusada de blasfémia em 2009, após ter alegadamente insultado o profeta Maomé durante uma discussão com um grupo de mulheres com quem trabalhava, enquanto recolhiam água de um poço.

Em novembro de 2010, um tribunal paquistanês decretou a pena capital, mas a sentença só foi confirmada quatro anos depois pelo Supremo Tribunal de Lahore, capital da província de Punjab, onde ocorreu o incidente.

A blasfémia é uma questão extremamente sensível no conservador Paquistão e mesmo acusações não provadas resultam muitas vezes em violência popular.

O caso de Asia Bibi gerou críticas internacionais contra o país islâmico.

Em 2011, o ex-governador de Punjab Salman Taseer, que defendia publicamente a causa de Asia Bibi, foi morto a tiro por um dos guarda-costas, Mumtaz Qadri, executado anos depois.

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