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Aborígenes temem perda de locais culturais devido aos fogos na Austrália

As comunidades aborígenes da costa sul de Nova Gales do Sul (NSW) temem que os fogos que assolaram esta região da Austrália possam ter destruído ou danificado vários locais de grande importância cultural.

Aborígenes temem perda de locais culturais devido aos fogos na Austrália

Membros da comunidade Yuin Djiringanj afirmaram que a maior preocupação centra-se na região montanhosa entre Gulaga e Mumbulla, na costa sudeste de NSW, uma das mais afetadas pelos fogos.

Líderes locais citados pela imprensa australiana notaram que esta cordilheira faz parte de um conjunto de importantes locais culturais aborígenes que percorre toda a costa sul, desde a zona de Shoalhaven até à fronteira com o estado de Victoria.

"São os piores fogos da nossa história. Nunca vimos isto. A nossa gente nunca viu fogos assim", disse Warren Forster, da comunidade Yuin, em Wallaga Laque.

Quando for possível, destacou, é necessário apoiar expedições para comprovar o estado desses locais.

Foster recordou que para os habitantes originais da Austrália os incêndios têm particular impacto, destruindo natureza e vida selvagem que são elementos essenciais da cultura e forma de vida aborígene.

"Os nossos antepassados devem estar muito zangados com o que está a acontecer ao nosso país, aos nossos animais totem, às nossa florestas", afirmou.

"Há centenas de locais, zonas de cerimónias, locais sagrados nas montanhas que arderam. E não é só na terra Yuin. Isto aconteceu em todo o lado, com milhares de locais destruídos", referiu.

Warren Foster explicou que os locais sagrados são importantes para a comunidade há milhares de anos e que a sua destruição, a par da destruição da vida selvagem, é uma perda cultural insubstituível.

"Se calhar isto pode servir como um despertar para que voltemos a ouvir os povos indígenas sobre como lidamos com o fogo e como o usamos para proteger as florestas. Está na altura de nos ouvir para cuidar do nosso país", referiu.

Membros da comunidade Yuin realizaram em dezembro cerimónias tradicionais para 'curar a terra' na Montanha Gulaga, uma das regiões atingidas pelos fogos do final do ano e início de 2020.

Em comunicado, o Governo estatal ecoa a preocupação sobre o impacto que a crise dos fogos possa ter na perda de locais relevantes para as comunidades aborígenes e solicitou informação de locais ou estruturas que tenham sido afetadas.

Os fogos reacenderam o debate na Austrália sobre a importância que práticas ancestrais aborígenes de gestão florestas podem ter na definição de melhores políticas para os vários ecossistemas australianos.

Alguns especialistas defendem que, apesar de úteis, em termos gerais, os métodos tradicionais não teriam impedido os fogos cuja dimensão foi alimentada por uma seca prolongada, temperaturas elevadas e tempestades.

Um dos locais onde já sentiu os danos foi a pequena comunidade de Mogo, a sul de Bateman's Bay - 300 quilómetros sul de Sydney - onde o fogo destruiu, entre outras estruturas, o edifício local da gestão florestal.

O espaço era um 'hub' cultural e social da comunidade aborígene, com vários programas educativos e artísticos e um importante componente de gestão de parques naturais, com vários guardas florestais locais.

Os incêndios implicaram a perda de importante equipamento usado na zona que terá agora que ser substituído com urgência para que o processo de recuperação possa começar, explicou a responsável do Aboriginal Land Council em Mogo, Linda Carlson.

A comunidade tem já em curso uma angariação de fundos para reconstruir o que foi devastado pelos fogos e um programa de apoio a vítimas dos incêndios, que incluiu ajuda ao nível da saúde física e mental.

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