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Condenação à morte pelo assassínio de Khashoggi "desrespeita a justiça"

A organização Repórteres Sem Fronteiras disse hoje que a "justiça foi desrespeitada" com a condenação à morte de cinco sauditas pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi e considerou que a sentença pode ser uma forma de calar testemunhas.

Condenação à morte pelo assassínio de Khashoggi "desrespeita a justiça"

"A justiça foi desrespeitada com a condenação à morte, [em julgamento] à porta fechada de cinco sauditas" pela morte do jornalista, afirmou o secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire.

O julgamento não respeitou "princípios de justiça internacionalmente reconhecidos" e a condenação pode ser apenas "uma maneira de silenciar para sempre as testemunhas do assassínio", disse Christophe Deloire.

"Temos de questionar a natureza discricionária destas decisões", referiu o responsável da organização, acrescentando esperar que "a Arábia Saudita aprove a apresentação de recurso e faça um julgamento público e apresente provas".

De acordo com um comunicado do procurador-geral saudita, o tribunal de Riade realizou nove audiências na presença de representantes da comunidade internacional e de pessoas próximas de Jamal Khashoggi.

Nenhuma acusação foi feita ao suspeito Saoud al-Qahtani, um conselheiro próximo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, referido pela CIA e pela ONU, assim como pela comunicação social norte-americana e turca, como coordenador da operação patrocinada pelo príncipe herdeiro.

Jamal Khashoggi, jornalista crítico do poder em Riade que colaborava nomeadamente com o The Washington Post, foi estrangulado em 02 de outubro por agentes sauditas no consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde foi tratar de documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.

Os seus restos mortais nunca foram encontrados, mas o assassínio teve impacto a nível mundial.

Após ter inicialmente negado a morte do jornalista, a Arábia Saudita acabou por admitir o assassínio do jornalista e anunciou a prisão de 18 pessoas, mas as declarações pareciam planeadas para proteger o príncipe herdeiro saudita de um maior escrutínio sobre o crime, como considerou a Amnistia Internacional.

Riade indicou que o homicídio tinha sido uma "operação fora de controlo" do Estado, supervisionada por dois altos responsáveis que foram destituídos depois.

Ancara, no entanto, acusou os "mais altos níveis" do Estado saudita.

A Turquia pediu a extradição de 18 sauditas detidos por suspeita de envolvimento no assassínio, tendo Riade recusado e afirmado que seriam julgados na Arábia Saudita.

Em janeiro, a Arábia Saudita começou a julgar 11 suspeitos e o procurador-geral solicitou a pena de morte para cinco deles.

Os advogados dos suspeitos pediram para conhecer as acusações exatas contra os seus clientes e um período para as analisar, mas, apesar de o tribunal ter aceitado os seus pedidos, não marcou qualquer data para uma nova audiência.

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