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Mauricio Macri despede-se do poder na Argentina com uma grande marcha

O presidente argentino, Mauricio Macri, o primeiro não-peronista a terminar o mandato, despede-se no sábado do poder com uma grande marcha em Buenos Aires que pretende mostrar força política para liderar a oposição.

Mauricio Macri despede-se do poder na Argentina com uma grande marcha

A professora Marcela Garcia, de 49 anos, voltará a manifestar-se no sábado para apoiar Mauricio Macri, que se despede da metade do país que o apoia com uma grande marcha até à praça de Maio, em frente da Casa Rosada, sede do Governo.

"Não conseguimos que o país não voltasse ao passado com Cristina Kirchner, mas começa agora uma resistência republicana por independência dos poderes. O futuro da Argentina é o que Macri defende e esperemos que o próximo governo seja apenas um intervalo para a volta de Macri ou daquilo que ele representa", explica Marcela Garcia para quem a liberdade de expressão, algo normal em outras partes do mundo, foi o melhor do governo que deixa agora o poder.

"Resgato, sobretudo, a liberdade para opinar, um valor que tínhamos perdido. Podermos expressar-nos, mesmo em dissidência, sem sermos catalogados como inimigos. É algo que agora se corre o perigo de perder", valoriza a professora, que, durante a campanha, participou nas caravanas que permitiram uma recuperação de Macri.

Depois de ficar 16 pontos abaixo de Alberto Fernández nas primárias de agosto, Macri conseguiu encurtar a diferença, perdendo as eleições em outubro com 41% contra 48% da dupla Alberto Fernández, para Presidente, Cristina Kirchner, para vice.

"Vou à marcha porque defendo a República, contra o autoritarismo do 'kirchnerismo'. Apoio os pilares de uma República como divisão dos poderes e liberdade de expressão. Não gosto de pessoas que dizem defender os pobres, mas depois aproveitam-se deles", conta Graciela Tocce, de 62 anos, professora de filosofia.

"Nunca se fez tantas obras como durante o governo de Macri. E obras sem nenhuma suspeita de corrupção", defende Graciela, apesar dos fracassos nos campos económicos como uma forte recessão nos últimos dois anos e uma galopante inflação que deve rondar os 60% até o final do ano.

Para o Presidente, a despedida tem outros motivos diretos e indiretos. Macri é o primeiro presidente não-peronista a conseguir terminar o mandato durante um período democrático. O feito não acontece há 91 anos.

A marcha também procura recordar ao novo governo de Alberto Fernández que metade do país está na oposição e que essa oposição deve ser liderada por quem consegue convocar milhares às ruas.

A base de eleitores de Macri concentra-se na classe média, setor que mais se preocupa com valores republicanos, deficientes durante o chamado kirchnerismo que governou o país entre 2003 e 2015.

A marcha nasceu espontaneamente nas redes sociais, mas o governo decidiu incentivá-la. Macri vai listar as conquistas do seu governo e justificar o fracasso na economia, exaltando que o país está bem preparado para voltar a crescer com as contas fiscais equilibradas. Ao mesmo tempo, dará um sinal de popularidade, apesar da derrota eleitoral. Uma popularidade que Alberto Fernández não conseguiu exibir mesmo tendo sido eleito.

A tendência que todo eleito tem de crescer em popularidade durante a transição de governo não aconteceu com Alberto Fernández, quem assumirá o poder com o mesmo nível com o qual foi eleito.

"Fernández não subiu muito depois de ganhar as eleições. Tem agora 49% de popularidade. Em geral, a imagem mais alta dos presidentes acontece durante o princípio do mandato. Depois disso, administram a queda", indica Alejandro Catterberg, diretor da consultora Poliarquia, uma referência no país. "A principal razão para esse limite é o nível de rejeição que o peronismo, particularmente o kirchnerismo, gera num setor da sociedade", indica.

Com Macri acontece um fenómeno curioso. A sua gestão é vista com fracasso no campo económico, mas a sua popularidade é superior, tal como o resultado das urnas.

"Isso acontece porque um setor da sociedade reconhece conquistas em áreas como transporte, obras públicas, relações internacionais e qualidade institucional", conclui Catterberg.

Outra consultora, a Marketing e Estatística, também aponta a popularidade de Alberto Fernández, mas com menos, inclusive, do resultado que obteve nas urnas: 46%. O número indica a pouca margem de graça que o próximo presidente terá.

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