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ONU pede "investigação completa" ao ataque contra campo de refugiados

A ONU pediu hoje uma "investigação completa" ao ataque com mísseis que visou na quarta-feira um campo de refugiados em Qah, na região noroeste da Síria, provocando vários mortos e feridos civis.

ONU pede "investigação completa" ao ataque contra campo de refugiados
Notícias ao Minuto

14:43 - 21/11/19 por Lusa

Mundo ONU

O vice-coordenador regional humanitário da ONU para a crise na Síria, Mark Cutts, disse, num comunicado, que é "repugnante que mísseis atinjam civis vulneráveis, incluindo idosos, mulheres e crianças, que se refugiam em tendas", pedindo que o incidente, que classificou como "horrível", seja investigado "de forma minuciosa".

Na quarta-feira, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos acusou o exército sírio de ter disparado mísseis balísticos terra-terra contra o campo de refugiados de Qah, localizado perto de um hospital materno-infantil na província de Idlib (noroeste da Síria), junto à fronteira com a Turquia.

No ataque, segundo a ONU, que não atribui o incidente a qualquer fação envolvida no conflito sírio, morreram pelo menos 12 pessoas e várias dezenas de outras ficaram feridas.

Já o Observatório Sírio dos Direitos Humanos avançou que o ataque matou pelo menos 16 pessoas, a maioria menores de idade.

"Existem informações sobre danos e a destruição de infraestruturas do acampamento, incluindo tendas. Um hospital materno-infantil localizado nas imediações também ficou danificado e quatro trabalhadores humanitários ficaram feridos", indicou o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), no mesmo comunicado.

Na nota informativa, Mark Cutts frisou que este tipo de acampamento acolhe pessoas que já fugiram de situações de violência, numa referência direta às pessoas que foram obrigadas a fugirem das respetivas casas por causa dos confrontos registados em Idlib, onde o Governo sírio e os seus aliados russos lançaram uma ofensiva em abril passado.

"Condeno este último ataque nos termos mais fortes possíveis, apelo uma vez mais a todas as partes envolvidas no conflito para que tomem todas as medidas necessárias para proteger civis e infraestruturas civis, de acordo com as suas obrigações ao abrigo do Direito Internacional Humanitário", reforçou Mark Cutts.

Desde finais de abril, o OCHA contabilizou cerca de mil vítimas civis, incluindo algumas centenas de crianças, no noroeste da Síria, na sequência dos confrontos ocorridos na província de Idlib.

A Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS, na sigla em inglês), entidade financiada por Washington, apoia o hospital materno-infantil que fica nas imediações do campo de refugiados de Qah.

Segundo relatou a organização, o ponto de impacto dos mísseis ficou a "25 metros" da unidade hospitalar e 54 pessoas sofreram ferimentos.

"Grandes áreas do acampamento ficaram queimadas e o hospital sofreu danos materiais, o que obrigou que os funcionários retirassem os doentes para outras instalações localizadas nas proximidades", acrescentou a SAMS.

A organização avançou ainda que este é o 65.º ataque contra as 47 unidades hospitalares que existem no noroeste da Síria desde abril passado.

A província de Idlib é ainda praticamente dominada pela organização 'jihadista' Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida).

Desde abril passado, as forças do regime sírio liderado por Bashar al-Assad, com o apoio da Rússia (o seu aliado tradicional), têm conduzido e intensificado ataques nesta zona.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', e várias frentes de combate.

Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 370 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

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