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Crianças são quase metade dos deslocados internos no mundo

Quase metade (40%) dos deslocados internos no mundo por guerras ou por outras crises, ou seja 17 milhões de pessoas, são crianças, indicou um relatório lançado hoje por ocasião do Dia Internacional dos Direitos das Crianças.

Crianças são quase metade dos deslocados internos no mundo

Os números foram avançados pelo Centro de Controlo de Deslocamentos Internos (IDMC, na sigla em inglês), no mesmo dia em que a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) assinala 30 anos da sua adoção pelas Nações Unidas.

Entre os cerca de 17 milhões de menores deslocados internos no mundo, forçados a fugir das respetivas casas por causa de guerras ou outras crises mas que ainda permanecem nos respetivos países, cinco milhões têm menos de 5 anos de idade, segundo os mesmos dados desta organização com sede em Genebra.

Metade do total das crianças deslocadas internas estão na região da África subsaariana, sendo que a Síria é o país mais afetado por esta questão, com 2,2 milhões de menores deslocados internamente.

República Democrática do Congo, Colômbia, Somália, Afeganistão, Nigéria, Iémen e Etiópia são os outros países que ultrapassam a fasquia de um milhão de menores deslocados internos, indicaram os mesmos dados.

Perante tais números, "qualquer tentativa de abordar e prevenir o deslocamento interno deveria concentrar-se nas crianças e, no entanto, muitas vezes são invisíveis na altura de recolher dados e no debate político sobre este problema", afirmou a diretora do IDMC, Alexandra Bilak.

A organização destacou que os deslocamentos internos afetam a segurança, a saúde e a educação das crianças envolvidas, lembrando um estudo recente conduzido em campos de refugiados na Etiópia, onde os professores revelaram que os alunos apresentavam traumas psicológicos, atitudes agressivas e sinais de stress.

O IDMC mencionou ainda que os menores deslocados internos "correm um risco particularmente alto de sofrerem abusos, de serem esquecidos, de contraírem doenças e de caírem na pobreza".

Como tal, apelou Alexandra Bilak, estas crianças "precisam de um apoio especial por parte dos Governos".

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