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Bielorrússia vai a eleições com oposição sem hipótese de vitória

A Bielorrússia realiza hoje eleições parlamentares, mas os principais candidatos da oposição estão impedidos de concorrer e apenas aqueles que são leais ao Presidente têm possibilidades de vitória.

Bielorrússia vai a eleições com oposição sem hipótese de vitória

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, tem governado a ex-nação soviética de 10 milhões habitantes com mão de ferro, há um quarto de século, mostrando pouca tolerância aos jornalistas independentes e prolongando a sua liderança através de sucessivas eleições que o Ocidente descreve como não sendo livres nem justas.

Na eleição de hoje, 516 candidatos disputam 110 lugares no Parlamento, mas os candidatos da oposição não foram autorizados a concorrer por várias razões, incluindo o facto de terem sido acusados de fazer "críticas infundadas ao governo".

"Reparamos que não há eleição propriamente dita. O Governo decide quem deve ser membro do parlamento", disse Valery Ukhnalev, candidato do partido Mundo Justo, da oposição de esquerda.

O Parlamento atual tem apenas dois membros da oposição e a comissão eleitoral recusou-se a deixá-los concorrer novamente, invocando razões técnicas.

Cerca de um quarto dos eleitores do país votou antecipadamente, um processo que começou na segunda-feira e que a oposição acusa de ser muito irregular, denunciando a desproteção de urnas e a contagem de votos sem a presença de observadores.

As autoridades eleitorais rejeitam as alegações da oposição de violações de votos, mesmo quando são confrontadas com evidências concretas de fraude.

Um observador independente filmou uma mulher que tentou enfiar uma pilha de votos numa urna, durante a votação antecipada numa assembleia de voto em Brest, uma cidade na fronteira com a Polónia, mas a diretora da Comissão Eleitoral, Lydia Yermoshina, que ocupa o cargo há 23 anos, respondeu dizendo que o observador que fez o vídeo não é credível.

A campanha eleitoral não teve direito a comícios, debates na televisão ou mesmo propaganda na rua.

"A campanha eleitoral foi praticamente invisível", disse Alexander Klaskovsky, especialista político independente, acrescentando que Lukashenko vê a votação para o Parlamento como uma espécie de ensaio para as eleições presidenciais do próximo ano, quando tentará um sexto mandato consecutivo de cinco anos.

Os EUA e a União Europeia têm criticado as autoridades bielorrussas pela falta de transparência eleitoral, impondo sanções contra o Governo de Lukashenko.

No entanto, algumas dessas sanções foram suspensas nos últimos anos, quando a Bielorrússia libertou prisioneiros políticos, como parte dos esforços de Lukashenko para se aproximar ao Ocidente, num momento de tensão com a Rússia, principal patrocinadora e aliada da Bielorrússia, que aumentou o preço do petróleo, causando um duro golpe ao país vizinho.

"Lukashenko descobriu que pode vender 'estabilidade' e o Ocidente está pronto para fechar os olhos a algumas coisas", explica Valery Karbalevich, analista independente de Minsk.

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