Meteorologia

  • 14 DEZEMBRO 2019
Tempo
16º
MIN 12º MÁX 17º

Edição

Mulheres políticas cada vez mais vítimas de ataques nas redes sociais

O Brexit tornou a atividade política britânica mais "hostil", sobretudo para as mulheres, que são alvo frequente de insultos e ameaças nas redes sociais, pesando na decisão de muitas deputadas não se candidatarem à reeleição, afirmou a académica britânica Susan Watson.

Mulheres políticas cada vez mais vítimas de ataques nas redes sociais

Uma investigação com base em mais de 317 mil mensagens enviadas na rede social Twitter, popular entre os políticos britânicos, a mulheres deputadas revelou um número elevado de ataques misóginos, com linguagem sexista e agressiva.

A antiga primeira-ministra Theresa May foi a mais afetada, seguida pela dissidente conservadora Anna Soubry e pela trabalhista Stella Creasy, ambas ativas na campanha contra a saída do Reino Unido e a favor de um segundo referendo.

Mas o problema é mais abrangente, disse Watson à agência Lusa, e por isso não está surpreendida que 18 deputadas de diferentes partidos tenham decidido não se recandidatar nas eleições legislativas de 12 de dezembro.

"As proeminentes Nicky Morgan, Heidi Allen e Caroline Spelman estão entre as que anunciaram o afastamento, tendo as três mencionado a sua experiência de insultos online como uma razão significativa para a decisão", referiu esta doutoranda da Universidade de York.

Spelman, que é conservadora, mas votou contra o governo e participou em várias iniciativas parlamentares para evitar um 'Brexit' sem acordo, concluiu que "já chega" porque que não só ela, mas também a família, foram vítimas de injúrias.

Morgan, até agora ministra da Cultura, também referiu o "impacto claro" que este comportamento teve na família e Heidi Allen, uma dissidente do partido Conservador e que mais tarde se juntou aos Liberais Democratas, declarou-se "exausta" com a intimidação.

"Ninguém em qualquer tipo de profissão deve ter de aguentar ameaças, emails agressivos, ser alvo de gritos na rua, insultada nas redes sociais ou ter de instalar alarmes de pânico em casa", declarou quando anunciou a decisão, no final de outubro.

As mensagens que Susan Watson recolheu incluem obscenidades e ameaças físicas ou sexuais, mas também comentários sobre a competência e credibilidade e a aparência física, o que resultou em consequências como medo, vergonha, humilhação e raiva, ou mesmo insónias e perda de confiança.

O resultado, lamentou, pode ser "que as mulheres acabem por se calar" e as perspetivas para as mulheres que sejam eleitas dentro de quatro semanas não são positivas.

"As mulheres eleitas em dezembro provavelmente vão enfrentar uma quantidade significativa de insultos online, o que tem muitas consequências para elas e para as suas famílias", afirmou a académica à Lusa.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo segundo ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório