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Milhares de ativistas prestam homenagem a estudante morto em Hong Kong

Milhares de ativistas pró-democracia reuniram-se hoje em várias partes de Hong Kong para homenagearem o estudante de 22 anos que morreu, vítima dos confrontos entre manifestantes e polícia registados na cidade nos últimos meses.

Milhares de ativistas prestam homenagem a estudante morto em Hong Kong

"Hoje lamentamos a perda de um combatente da liberdade em Hong Kong", disse uma figura do movimento pró-democracia em Hong Kong, Joshua Wong, na sua conta da rede social Twitter.

"A atmosfera em Hong Kong é como uma bomba-relógio", comentou o político local e ativista pró-democracia Lo Kin-hei, acrescentando que as pessoas da região "não confiam na polícia" para lhes dizer a verdade.

Vários polícias foram cercados por manifestantes em Yau Ma Tei, tendo ficado de tal forma pressionados que um deles disparou um tiro de aviso para dispersar quem os cercava, indicou uma fonte policial à agência France-Presse (AFP).

O movimento de protesto pró-democracia convidou não só os manifestantes, mas toda a população de Hong Kong a participar nas vigílias de homenagem ao estudante.

Milhares de pessoas depositaram flores, acenderam velas e escreveram mensagens de condolências no local onde Alex Chow Tsz-lok foi encontrado.

O hospital Rainha Isabel, onde estava internado desde a madrugada de segunda-feira, confirmou que o estudante morreu hoje às 08:09 (00:09 em Lisboa), sem especificar a causa da morte, adiantou o jornal local South China Morning Post (SCMP).

Segundo a rádio local RTHK, Alex Chow foi encontrado inanimado num parque de estacionamento, aparentemente na sequência de uma fuga de uma ação policial contra uma manifestação ilegal em Hong Kong.

O estudante de ciência informática da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST) foi encontrado inanimado no segundo andar de um parque de estacionamento em Tseung Kwan O e que as autoridades admitiram a possibilidade de ter caído do terceiro andar, acrescentou o jornal SCMP.

Momentos antes, a polícia tinha disparado várias granadas de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes, que atiraram garrafas e tijolos contra as forças de segurança.

Ainda que as circunstâncias permaneçam incertas, o jovem é, alegadamente, a primeira vítima direta dos confrontos entre manifestantes e polícia registados na cidade nos últimos cinco meses.

A polícia reconheceu o uso de gás lacrimogéneo a fim de dispersar manifestantes perto do parque de estacionamento onde Alex Chow caiu, mas rejeitou as acusações de que interferiu na intervenção da equipa de resgate.

"Quanto às acusações de que a polícia perseguiu o estudante falecido, o empurrou ou até o fez cair de alguma forma, declaramos solenemente que nada disso aconteceu", disse hoje o responsável pelo caso, Ewing Wu.

O Governo de Hong Kong expressou a sua "grande tristeza" e "arrependimento" após a morte de Alex Chow, sem comentar as circunstâncias da mesma.

A antiga colónia britânica é palco, há cerca de cinco meses, de uma crise política sem precedentes desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China em 1997, com manifestações e ações quase diárias para protestar contra a alegada erosão das liberdades e crescente interferência de Pequim na região semiautónoma.

A mobilização pró-democracia tem resultado em confrontos cada vez mais violentos e recorrentes entre polícias e manifestantes radicais, bem como em numerosos atos de vandalismo direcionados contra empresas acusadas de apoiarem Pequim.

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