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Eleições: Catalunha domina campanha e condiciona debate político

A presença de um forte movimento independentista na Catalunha está a dominar a campanha eleitoral em Espanha e a condicionar as propostas e discurso de todos os partidos políticos nacionais que lutam pelo voto nas eleições do próximo domingo.

Eleições: Catalunha domina campanha e condiciona debate político
Notícias ao Minuto

15:46 - 06/11/19 por Lusa

Mundo Espanha

"Catalunha é o tema central e falar ou negociar neste momento com os partidos independentistas são votos que irão diretamente para a extrema-direita espanhola", disse o professor de Meios de Comunicação e Política da Universidade de Navarra Carlos Barrera em declarações à Lusa.

O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, partidário do diálogo com os separatistas, endureceu nos últimos dias o seu discurso sobre a Catalunha.

Sánchez propõe agora uma reforma do código penal "para proibir de uma vez por todas os referendos ilegais na Catalunha", como o de outubro de 2017

No único debate televisivo entre os principais candidatos das eleições de domingo 10 de novembro o líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) também apelou ao fim do "uso sectário" da televisão pública catalã (TV3) por parte do governo regional independentista.

A crise catalã está na ordem do dia mais do que nunca, depois de em meados de outubro o Tribunal Superior ter condenado 12 políticos pró-independência pelo seu papel na tentativa de secessão de 2017, o que levou a numerosas manifestações, algumas delas violentas.

"Os partidos independentistas foram essenciais para que Sánchez fosse investido primeiro-ministro em junho de 2018 e também foram os principais responsáveis pela sua queda, no início do ano", o que levou à convocação de eleições em 28 de abril último que agora vão ser repetidas, recordou Barrera.

O líder socialista tem sido pressionado pela direita a esclarecer se no futuro vai voltar a chegar a compromissos ou a aceitar novamente o apoio dos independentistas.

O presidente do PP (Partido Popular, direita), Pablo Casado, defende que o Estado espanhol assuma a segurança na região da Catalunha, enquanto o do Cidadãos (direita liberal), Albert Rivera, pediu a suspensão da autonomia da Catalunha e a demissão imediata do presidente regional separatista, Quim Torra.

O líder do Vox (extrema-direita), Santiago Abascal, foi o mais radical no debate eleitoral, pedindo que Torra fosse "preso, algemado e colocado à disposição da justiça" e denunciando o "golpe de Estado" permanente dos separatistas.

No debate que foi dominado pela questão catalã, Sánchez acusou o PP, que em 2017 estava no poder, de ter deixado fugir para a Bélgica o ex-presidente do executivo regional Carles Puigdemont.

Pedro Sánchez também foi criticado pelo secretário-geral do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, que o acusou de, com a Catalunha, ter "uma desculpa perfeita para chegar a um acordo" com o PP para ser reeleito como chefe do Governo.

Vários analistas defendem que para se sair do atual impasse e acabar com o "bloqueio político" será necessário um acordo entre o PSOE e o PP que pode passar pela abstenção do segundo a um executivo da responsabilidade do primeiro.

Iglesias defendeu hoje a formação de um governo do PSOE e o Unidas Podemos "com o apoio ocasional de forças como a ERC (Esquerda Republicana da Catalunha, independentista)" após as eleições deste domingo.

A consulta eleitoral de domingo é a quarta dos últimos quatro anos e não parece que irá colocar um ponto final à instabilidade política que se verifica desde 2015, quando Unidas Podemos e Cidadãos apareceram em força para dividir o voto dos espanhóis que até aí iam maioritariamente e alternadamente para o PSOE e o PP.

As sondagens publicadas nos últimos dias apontam para a vitória do PSOE, mas a perder força em relação às eleições de 28 de abril último, com o bloco de partidos de direita ligeiramente à frente dos de esquerda, sem que nenhum deles possa, aparentemente, desbloquear o impasse político que se vive no país.

As eleições foram convocadas em setembro pelo rei de Espanha, depois de constatar que Pedro Sánchez não conseguiu reunir os apoios suficientes para ser investido primeiro-ministro pela maioria absoluta dos deputados ou, numa segunda volta, apenas pela maioria simples.

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