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"Vamos ter de continuar a discutir com os ingleses"

O negociador-chefe do 'Brexit', Michel Barnier, disse em entrevista à Lusa que vai ser preciso "continuar a discutir o acordo com os ingleses, porque uma saída ordenada [da União Europeia] não é um fim em si, mas uma etapa".

"Vamos ter de continuar a discutir com os ingleses"

Michel Barnier considerou que ainda não está afastado o risco de uma saída desordenada da Reino Unido porque "é preciso uma ratificação".

"São precisos dois para fazer um acordo, fizemos um com [Boris] Johnson, tal como tínhamos feito com Theresa May, mas é preciso uma ratificação do parlamento britânico, após a qual o Parlamento Europeu se pronunciará imediatamente", afirmou.

Para o atual chefe do grupo de trabalho da União Europeia para as relações com o Reino Unido, "enquanto não tiverem sido levadas a seu termo as duas negociações, uma primeira sobre o divórcio e a saída ordenada, e uma segunda sobre a futura relação, há o risco de uma saída sem acordo".

O primeiro 'rendez-vous' importante depois das eleições será a ratificação para se obter uma saída ordenada em 31 de janeiro, declarou Michel Barnier, para quem começará então um outro processo, que é negociar a futura relação.

"Teremos um novo 'rendez-vous' em dezembro de 2020, se quisermos ter uma relação ordenada em matéria comercial com o Reino Unido", pois o final do próximo ano será o fim do período de transição, de acordo com os prazos da negociação, adiantou.

Segundo Barnier, "poderá haver então um segundo risco, já não sobre as questões do 'Brexit' (...), mas sobre a relação comercial".

Colocado perante a questão de poder registar-se ainda um terceiro risco, que seria a vontade expressa do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, de no caso de ganhar as eleições de 12 de dezembro, renegociar um novo acordo com a UE e organizar outro referendo, o negociador-chefe da União afirmou estar ciente das diferentes ideias entre o líder do Labour e o primeiro-ministro conservador.

"Corbyn disse-nos que preferia uma relação mais próxima, nomadamente através de um acordo de união aduaneira que [Boris] Johnson não quer. (...) A União Europeia estará sempre disponível para uma relação mais estreita e mais ambiciosa", declarou Barnier, garantindo: "Está e estará".

Para Michel Barnier, é preciso "desfazer o 'tricot' das relações geradas durante 45 anos", o que terá de ocorrer através de uma série de novas negociações em muitas áreas.

"Há uma dezena de mesas de negociações que serão abertas no dia seguinte à ratificação do tratado do 'Brexit'", disse Barnier, segundo o qual o mais importante é "reconstruir uma parceria ambiciosa no plano comercial com o Reino Unido", de que ele próprio se ocupará no próximo ano, a pedido da nova presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.

Para o negociador-chefe da União Europeia, "pode dizer-se que não se fará tudo num ano", mas haverá que estabelecer prioridades que serão discutidas com a Comissão, o Parlamento Europeu e os Estados-membros e a primeira delas "será a relação comercial num mundo muito complexo atualmente em termos de concorrência comercial mundial".

A grande dificuldade desta negociação é a questão política que, segundo Barnier, discutiu com os líderes do PSD e do PS, os sindicatos e o patronato, com quem se encontrou durante a visita a Portugal.

"Contrariamente ao 'Brexit', estes acordos vão exigir a ratificação por unanimidade dos 27 parlamentos nacionais e talvez de certos parlamentos regionais", acrescentou ainda. "E se nós queremos, na União e com os britânicos, que estes acordos sejam verdadeiros acordos, e não apenas no papel, que sejam operacionais, é preciso que sejam ratificados. Para tanto, têm de ser equilibrados", concluiu.

Questionado sobre o seu futuro, Michel Barnier não se comprometeu a ir "até ao fim" neste segundo ciclo de negociações, porque "ninguém é insubstituível", mas garantiu que logo após a ratificação vai "começar um trabalho mais positivo de construir a futura relação", por oposição ao que fez até agora, que foi uma "negociação negativa".

Michel Barnier deslocou-se a Portugal para participar na cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa.

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