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"Haverá consequências para toda a gente"

O negociador-chefe da União Europeia para o 'Brexit', Michel Barnier, assegurou que a saída do Reino Unido só pode ser resumida com a expressão 'lose-lose', uma situação em que todos perdem, porque "haverá consequências para toda a gente".

"Haverá consequências para toda a gente"

"Em duas palavras, desde logo, o 'Brexit' é 'lose-lose'. Portanto não posso dizer que seja outra coisa", disse Barnier em entrevista à Lusa.

Para o chefe da equipa europeia que negociou o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, as consequências do 'Brexit' são, "infelizmente", "um enfraquecimento" da União.

"Lamentamos e respeitamos esta escolha dos britânicos. Queremos pô-la em prática de maneira ordenada e depois construir uma relação ambiciosa e equilibrada [...], mas infelizmente nunca poderá ser 'business as usual'", explicou.

Segundo Barnier, a lista de domínios que serão afetados pelo 'Brexit' é longa: "Haverá controlos [aduaneiros], talvez tarifas, consequências para os cidadãos".

Os direitos sociais, de residência, já estão protegidos no acordo assinado entre Londres e Bruxelas e abrangem os próprios e respetivas famílias até ao fim das suas vidas, explicou.

"Mas depois do final de 2020 [quando termina o período de transição], vai ser diferente para os cidadãos que forem de um lado para o outro", disse, evocando "uma política de imigração do Reino Unido que não" se conhece, o fim da liberdade de circulação, ou os efeitos do "câmbio da libra para a poupança, para o turismo".

"Haverá consequências para toda a gente", assegurou.

E depois, salientou, "há as lições do 'Brexit'".

"Porque é que 52% dos britânicos votaram contra a Europa? Sem dúvida por razões estritamente britânicas, que pertencem à vida política, mas também lições para toda a gente sobre um sentimento popular de que a Europa não protege o suficiente, que não defende o suficiente", referiu.

Michel Barnier sublinhou que "é preciso não confundir esse sentimento popular com o populismo", que o "usa e explora", mas antes "responder e ouvir esse sentimento popular".

Para isso, defende, são necessárias "novas políticas no plano da indústria, da autonomia da soberania europeia, da proteção, em certos casos, da defesa, do controlo dos fluxos migratórios".

"É a urgência dos cinco próximos anos. Ursula von der Leyen [a presidente eleita da Comissão Europeia], Elisa Ferreira [a comissária nomeada por Portugal], sabem que é a sua tarefa. E é um debate de ideias e um debate de propostas no qual participarei", disse.

Michel Barnier, duas vezes comissário europeu e várias vezes ministro de França, esteve em Lisboa para a cimeira tecnológica Web Summit.

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