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Macri aposta em marcha para reverter derrota eleitoral

O Presidente argentino, Mauricio Macri, quer levar um milhão de pessoas hoje às ruas de todo o país e de várias cidades do mundo para reverter o cenário de derrota eleitoral, a oito dias das eleições.

Macri aposta em marcha para reverter derrota eleitoral

Na reta final de uma campanha que tenta o milagre de conseguir levar a disputa eleitoral a uma segunda volta, o epicentro das manifestações acontecerá às 17 horas (21 horas em Lisboa) no Centro de Buenos Aires, de onde também se poderão acompanhar, através de ecrãs gigantes, cerca de 100 concentrações simultâneas pelo interior do país e em cerca de 20 cidades do mundo.

O objetivo do Presidente Macri, na sua tentativa de reeleição, é animar uma multidão de eleitores capazes de convencerem abstencionistas.

Para tal, Macri também aposta num bom desempenho durante o debate eleitoral televisivo de amanhã.

Há 22 dias, Mauricio Macri começou uma maratona de marchas que percorrerá 30 cidades até a próxima quinta-feira, quando se encerrará a campanha.

As caravanas intituladas "Sim, é possível" apontam à classe média, setor onde se concentram os chamados "desencantados": aqueles que elegeram Macri, mas que se decepcionaram a ponto de castigá-lo, votando na oposição, mesmo sendo contra o "kirchnerismo", representado pelo candidato da ex-presidente Cristina Kirchner, o peronista Alberto Fernández.

Como exemplo da classe média, Andrea De Bardeci, 40 anos, já esteve na caravana e hoje voltará a participar na maior de todas.

"Eu participo não só por mim, mas pelo futuro da minha filha. Eu fiquei muito triste durante os 12 anos do governo anterior. Só atrasaram o país. Sinto que voltar a esse passado seria o pior. Quero ver progresso", explica Andrea, destacando como melhoras durante o governo Macri a segurança pública e as obras de infra-estrutura.

"Sei que a situação económica não é a ideal, mas também sei que Macri herdou uma situação difícil de ser revertida em apenas em três anos e meio", considera Andrea, que vive em Pilar, a 60 Km de Buenos Aires.

A reformada María Cristina Fernández, 67 anos, é de Moreno, na periferia empobrecida de Buenos Aires.

"Sei que, com Macri, teremos um futuro melhor. Sei que custa, mas vamos conseguir superar. Tenho essa fé. Tenho essa certeza", acredita María Cristina, explicando as razões para estar na marcha de hoje.

"O outro candidato faz parte do governo anterior que só gerou corrupção, aumento da violência e do tráfico de drogas. Eles já nos deixaram o país em ruínas e querem voltar agora para roubar o pouco que sobrou", denuncia.

"O lugar de Cristina Kirchner é na prisão e não como candidata a vice-presidente", desabafa.

"Sabe o que as pessoas alegam? Que a Cristina roubava, mas também dava. Todos sabem que roubava. Eu sou muito humilde, mas prefiro estar com os bolsos vazios a ver esses ladrões de volta", afirma.

As caravanas de Macri tornaram-se um surpreendente sucesso de público. Nunca antes na história argentina, a classe média saiu às ruas a apoiar um candidato, espontaneamente.

"É um fenómeno social", define o político Luis Juez, um dirigente na coligação de governo e candidato a deputado nacional pela Frente Cívica, que lidera.

"A classe média, que detesta ir a um ato popular, agora vê-se nesta situação, porque o espanto de que Cristina volte levou uma multidão a reagir", observa.

Juez esteve nas duas caravanas que levaram Macri nesta semana à província de Córdoba e estará que encerrará a campanha na próxima quinta-feira.

"Essas marchas tem sido o nosso combustível para continuar vivos depois da surra eleitoral que levamos. O objetivo é contagiar e sermos contagiados. Nesse sentido, estão a dar resultado por mais que ainda não apareça refletido nas sondagens. Vamos ver se conseguimos até o dia 27", defende Luis Juez.

O prazo para divulgação de sondagens terminou hoje sem que nenhuma apontasse a uma reversão de tendência.

O peronismo de Alberto Fernández continua a liderar as intenções de voto com uma vantagem de 16 a 22 pontos sobre Mauricio Macri. Fernández rondaria os 50% dos votos válidos, quando, para ganhar na primeira volta precisa de apenas 45%.

Essa ampla vantagem inverteu os papeis. Antes blindado do contacto direto com as multidões, Macri adotou um estilo popular de ir onde o povo está.

Por outro lado, esse estilo popular, comum ao peronismo, está ausente de Alberto Fernández, que se comporta como um presidente eleito.

Fernández tem feito viagens internacionais onde se reuniu com chefes de Estado da esquerda da região (Uruguai, Bolívia e Peru) e da Europa (Portugal e Espanha).

"Estamos agora mais nesse modelo popular peronista do que o próprio peronismo. Macri adotou esse modelo territorial de construção política enquanto os peronistas estão a fugir dos atos populares. Como estão a ganhar, não querem arriscar um erro. Como nós não estamos a ganhar, arriscamos tudo", explica Luis Juez.

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